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LIVRO DE AUTO-AJUDA 

MANUAL DO PORTADOR

Classificado pelo Ministério da Cultura - Biblioteca Nacional como:

AUTO-AJUDA, DIDÁTICO E PEDAGÓGICO

3ª EDIÇÃO REVISTA E AMPLIADA

BRASIL SITE INICIADO EM  20/09/99 - ATUALIZADO EM  11/04/2016

 

O material deste site está protegido pelo direito do autor. Registro no Ministério da Cultura

Fundação Biblioteca Nacional Nº 198.827,  Livro 342/486. Copyright 2005

 Todos os direitos reservados - Desenvolvido por  Fernando Mineiro

 

GruPan® – 16 anos em atividade ininterrupta

 

Grupo de Apoio aos Portadores de Transtorno do Pânico

(Síndrome do Pânico)

Belo Horizonte - MG

Coordenador: Fernando Mineiro - Criado em 12 de setembro de 1999

 

O GruPan é um grupo de auto-ajuda. Tem como finalidade dar apoio e esclarecimentos aos portadores

e seus  familiares, sem interferir na relação médico-paciente.

 

GruPan® no Facebook

 

Relacionado aos Transtornos de Ansiedade:  Transtorno do Pânico - TP (Síndrome do Pânico) / Transtornos de Ansiedade Generalizada – TAG / Transtorno de Estresse Pós-traumático – TEPT / Transtorno Obsessivo Compulsivo – TOC / Transtorno Fóbico Social – TFS (Fobia Social) /  Agorafobia / Fobias específicas.

 

Se você é portador de alguns desses distúrbios, ou tem algum parente, ou amigo que queira ajudar, busque no Facebook: GruPan SOS Pânico ,  ou acesse: https://www.facebook.com/groups/grupansospanico . Leia a coluna do lado direito para conhecer as regras do grupo e click em "Participar do Grupo".

 

Você poderá interagir com outros portadores para troca de experiências, tirar dúvidas e postar mensagens relacionadas aos distúrbios descritos acima, bem como mensagens de otimismo e motivacionais, tornando esse espaço agradável, promovendo o bem-estar de todos.

 

 

O GruPan® pode lhe ajudar a superar de vez o Transtorno do Pânico através de mensagens de auto-ajuda, técnicas para eliminar a ansiedade e gatilhos que favorecem as crises. Você terá uma vida totalmente normal. O apoio familiar é muito importante para a superação do TP. Por essa razão, seu primeiro passo é adquirir o livro "Tenho a Síndrome do Pânico, mas ela não me tem!", o Manual do Portador – 3ª edição, de autoria do escritor e Coordenador do GruPan, Fernando Mineiro, também portador do TP, há mais de 11 anos sem nenhum sintoma.

 

O livro é prefaciado pelo  Dr. José Ennes Rodrigues Junior. Psiquiatra, escritor, palestrante, consultor organizacional e ex-integrante da equipe do Prof. Pierre Weil no desenvolvimento de Relações Humanas, e apresentado pela Psiquiatra, Dra. Gislene Valadares Miranda. Médica Psiquiatra – Preceptora da residência em Psiquiatra do Hospital das Clínicas da UFMG – Núcleo de Saúde Mental da Mulher. 

 

 

Vídeo da entrevista com Fernando Mineiro na TV

https://www.youtube.com/watch?v=qT3YSyLQMds

 

 

O GruPan completou 16 anos de atividade ininterrupta.

 

Estou feliz por ter podido ajudar milhares de portadores do TP a voltarem a sorrir nesses 16 anos. Essa felicidade seria maior ainda se não fosse pela doença de minha  esposa Rúbia; portadora de Mieloma Múltiplo, um câncer da medula ainda sem cura, mas com tratamento para prolongar o tempo de  vida. Ela está em tratamento desde junho de 2013, época em que foi diagnosticada.  Deus é bom, pois está permitindo que Rúbia mantenha a "remissão" dessa doença desde setembro de 2014 (um ano), mesmo sem ter feito o auto transplante de medula, que em geral é indicado, porém, devido a idade não pode fazê-lo. Estamos vivendo um dia de cada vez e é isso que importa.

 

Em junho de 2013, Rúbia ficou internada em um grande hospital de BH por 18 dias para tratamento de Herpes Zoster e por sua hemoglobina estar bem abaixo do normal. Após várias transfusões de sangue para aumentar a hemoglobina e com o herpes Zoster controlado, lhe foi dado alta sem descobrirem a razão da hemoglobina baixa, mesmo após realizar dezenas de exames. Sugeriram que ela consultasse com um hematologista, pois o do hospital “estava de férias”. Pesquisando na internet, encontrei a Clínica Hematológica em BH. Após exames que citei abaixo, chegaram ao diagnóstico: Mieloma Múltiplo. A partir daí, o tratamento quimioterápico e medicamentoso foi iniciado e se manteve por 15 meses, chegando à remissão.

 

Como se trata de um câncer ainda pouco conhecido pela área médica e seu principal sintoma ser dor lombar, sugiro que façam dois exames simples de sangue: Eletroforese de proteínas e Hemograma. Leve o resultado para um Hematologista. Diagnosticado no início, o resultado do tratamento será melhor.

 

O GruPan® - Grupo de Apoio aos Portadores do Transtorno do Pânico -TP (Síndrome do Pânico) está ativo há mais de 16 anos. É o grupo de apoio ao TP mais antigo no Brasil em atividade. O GruPan contribuiu para a criação de vários grupos de apoio. Tem como proposta dar apoio aos portadores de Transtorno do Pânico e distúrbios de ansiedade sem interferir na relação médico-paciente, através de envio de mensagens de auto-ajuda e de otimismo, ensinando técnicas de relaxamento, de exposição, de alimentação e de atividade física. Todas as dúvidas enviadas através de mensagens são respondidas.


O GruPan® não recebe verbas governamentais e nem cobra mensalidades, se mantém ativo com a venda do livro " Tenho a Síndrome do Pânico, mas ela não me tem! ", de autoria de seu coordenador Fernando Mineiro, já na sua 3ª edição revista e ampliada. Vários outros grupos encerraram suas atividades devido à falta de recursos para se manterem ativos. O livro foi registrado na Biblioteca Nacional como  Manual do Portador.  O livro é prefaciado pelo  Dr. José Ennes Rodrigues Junior. Psiquiatra, escritor, palestrante, consultor organizacional e ex-integrante da equipe do Prof. Pierre Weil no desenvolvimento de Relações Humanas e apresentado pela Psiquiatra, Dra. Gislene Valadares Miranda. Médica Psiquiatra – Preceptora da residência em Psiquiatra do Hospital das Clínicas da UFMG – Núcleo de Saúde Mental da Mulher.

A aquisição desse livro contribuirá para que o portador supere esse distúrbio, além de levar informações aos familiares que com ele convive, muitas vezes carentes de informações. O livro contém exercícios e informações importantes para superação dos Transtornos de  Ansiedade - Transtorno do Pânico, Transtorno de Ansiedade Social (fobia social), Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), Agorafobia e Fobias em geral.


Além do livro, você receberá, sem custo de correio, 1 CD de computador contendo:  palestra de Fernando Mineiro, um vídeo Respiração diafragmática, manual de segurança e outros temas.


Além do kit acima, você receberá 10 mensagens de apoio por dia via e-mail, totalizando 67 mensagens conforme relacionado abaixo: você encontrará tudo que necessita saber para ter o controle total do TP e ter uma vida 100% normal.


01 14 passos para o controle
02 Transtorno do Pânico
03 Exercício de Respiração Diafragmática com vídeo explicativo.
04 Alimentação do Panicoso
05 Caminhar com técnica
06 Como ajudar nas crises
07 Nossa mente funciona como um computador
08 E agora, José?
09 Atividade Física do Portador do TP
10 Desrealização e despersonalização
11 Hipoglicemia e TP
12 Síndrome de Glóbulos
13 Dor no peito
14 O segredo da vida
15 Extra-sístoles e palpitações
16 Exercício do Balãozinho
17 Ansiedade - Orientações Gerais
18 Acalme-se
19 Acordar sobressaltado
20 Zumbido no ouvido
21 Único no universo
22 Mitologia - Pânico
23 Agorafobia
24 Fobia Social
25 Medo de dentista
26 Medo de avião
27 Exercício de exposição
28 Troféu da vida
29 À noite todos os gatos são pardos
30 Brancos de memória
31 Prolapso da Válvula Mitral
32 Antidepressivos
33 Descontinuação de medicamentos
34 Álcool e ansiedade
35 Fundo do poço
36 Círculo vicioso
37 Fases do TP
38 Fase de controle do TP
39 Cigarro e TP
40 Cirurgia e ansiedade
41 Relaxamento autógeno
42 Auto estima
43 Transtorno do Pânico, ou ataques de pânico
44 Transtorno do Ansiedade Generalizada - TAG
45 Transtorno de Estresse pós traumático - TEPT
46 Transtorno Obsessivo Compulsivo - TOC
47 Transtorno Bipolar - TB
48 Síndrome do Pânico – Márcio Bernick
49 Seja sempre um jovem
50 Serotonina
51 Pesquisa genética da UFMG no GruPan
52 Ansiedade – Jornal o Tempo - BH
53 Cinco passos para lidar coma dor
54 Alzheimer
55 Como agir no elevador em pane
56 Não desista nunca!
57 Fique livre da azia e da gastrite
58 Frutas - verdades e mentiras
59 Mieloma Múltiplo
60 Envelhecer sim, deixar de viver, jamais
61 Problema, ou desafio?
62 Que tipo de pessoa você é?
63 Só depende de você
64 Não pode faltar em seu celular
65 Sintomas isolados no TP e no TAG

66 Aposentadoria com TP?

67 Tenha um bom diagnóstico


Além dessas mensagens, o GruPan®, através de seu coordenador,  responderá todos os questionamentos recebidos, procurando tirar todas suas dúvidas. Todas as novidades relacionadas aos Transtornos de Ansiedade, onde se inclui o TP, são enviadas aos cadastrados assim que são divulgadas nos periódicos científicos assinados pelo GruPan. Com seu cadastro, você sempre estará atualizado.


Preço unitário do Kit: livro + CD = 
R$40,00, sem custo do correio.

 

Faça um depósito no valor de R$40,00 em nome de Fernando Otávio Mineiro de Oliveira, escolhendo uma das opções abaixo:

1ª Opção
Banco Bradesco
Agência 0465 - 0
Conta de CORRENTE n° 0321537-7

2ª opção
Caixa Econômica Federal
Agência 1667
Conta de Poupança n° 024.220- 0
Operação: 013


Caso necessite de meu CPF para fazer a transferência bancária, solicite-me:
fmineiro@yahoo.com.br  

 

O livro e o CD  lhe serão remetidos via correio registrado, diretamente para o local indicado, sem despesas de correio, em até 4 dias úteis. Você receberá o nº do correio para rastreamento da remessa.

Após efetivar o depósito,  selecione com o cursor os itens de 1 a 11 abaixo e copie. Cole na mensagem e altere para cor preta. Envie para o e-mail fmineiro@yahoo.com.br

 

1- Valor enviado:

2- O banco utilizado:

3- Depósito - Nº da agência de sua cidade que você utilizou e que consta em seu recibo:

4- Transferência -  nº da transferência

5- O dia do depósito, ou da transferência:

6- Seu nome completo:

7- Endereço:

8- Bairro:

9- Cidade:

10- Estado:

11- CEP:

 

 

ONDE ENCONTRAR EM BELO HORIZONTE – MG

( sem CD ) = R$30,00 a unidade.

 

CENTRO 

Café Metrópole – Rua da Bahia, 1.017 – esquina com Rua Goiás

fone: (31) 3222-7028

 

Livraria Big Book – Rua Tamóios, 72 – (31)3222-1515 / 3222-7793  www.livrariabigbook.com.br

 

FLORESTA 

Livraria do Psicólogo – Av. Contorno, 1.390 - Fone: (31) 3303-1000.  

Tem estacionamento.

 

SANTA EFIGÊNIA

Livraria COOPMED – Faculdade de Medicina da UFMG 

Fone: (31) 3273-1955 - Av. Prof. Alfredo Balena, 190

 

Livraria Interminas – Av. Prof. Alfredo Balena, nº 181 – Fone: (31) 3201-0584

 

UNIÃO

Via Ápia - Revistas e Jornais – Sup. Extra do Minas Shopping

Fone: (31) 3426-1221

 

 

ÍNDICE

 

AUTOR

 

Fernando Mineiro

 

Tenho 70 anos e dois filhos. Sou casado há 46 anos com  Rúbia, minha eterna namorada. Sou fundador e Coordenador  do GruPan - Grupo de Apoio aos Portadores do Transtorno do Pânico de Belo Horizonte – MG, 16 anos em atividade.

 

Quando o tempo me permite, dedico-me à astronomia como astrônomo amador. Fui industrial na área de saúde por 20 anos e, atualmente, escritor e empreendedor. Sou autor do livro que leva o mesmo título dessa página, porém mais abrangente e com textos inéditos, já na sua 3ª edição.

 

Sou portador do TP há 56 anos, 35 sem diagnóstico, 1 de tratamento, 8 na fase de controle, sem crises e sem medicamentos e sem fobias, porém, com sintomas isolados. Estou há mais de 14 anos sem nenhum sintoma do TP. Consegui eliminá-los com exercícios de relaxamento autógeno, de respiração diafragmática e de exposição que sempre faço. Esses exercícios constam em meu livro.

 

 

Na fase angustiante de minhas crises escrevi o acróstico abaixo:

 

POESIA E DOR

    PENSEI CORRER, FUGIR E GRITAR.

ÂNSIA  POR ALGUÉM A ME ABRIGAR.

NINGUÉM ESTOU SÓ, MAS VOU RESISTIR!

IMERSO EM SUOR ME SINTO PARTIR.

   CANSADO, EXAUSTO MEU CORPO IMPLORA...

   OH!  CRISE FÓBICA  ME DEIXE AGORA!

 

Dedico O MEU LIVRO E esta Home Page à minha esposa Rúbia,

pois sem o seu apoio incondicional, nada disso seria possível.

 

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ÍNDICE

 

TRANSTORNO DO PÂNICO

 

Transtorno do Pânico (Síndrome do Pânico)

Por: Fernando Mineiro - fmineiro@yahoo.com.br 

 

Nos dias atuais, uma das preocupações  de todo cidadão é proteger seu patrimônio, principalmente seu automóvel. Para isso, vários tipos de alarmes são utilizados, mas todos com o único propósito: evitar que seu veículo seja furtado. Observamos, porém, que em alguns veículos basta tocá-lo e o alarme dispara. Em outros, há necessidade de tentar arrombá-lo para que isso aconteça. Já presenciamos também que alguns alarmes disparam sem que o veículo seja molestado. Isso acontece por causa de uma sensibilidade maior no mecanismo do alarme. Nesse caso, há necessidade de levá-lo para uma assistência técnica para a devida correção.


Nós também possuímos um alarme natural situado na parte frontal de nossa cabeça, as amígdalas cerebrais. São dois órgãos em forma de amêndoas, o que justifica o seu nome. Elas compõem o sistema límbico e agem independentemente de nossa vontade. Ao menor sinal de perigo, elas disparam o alarme para que o sistema libere substâncias a fim de preparar o organismo para enfrentar um perigo iminente.  As substâncias liberadas alteram todo o funcionamento do organismo para que o indivíduo tenha condições de enfrentar o perigo, mas ele  não percebe essas alterações e nem sente nenhum sintoma provocado por elas.  Sua mente está totalmente direcionada para o mecanismo de "fuga ou luta" para preservar a sua integridade física.


Algumas pessoas também possuem alarmes defeituosos que disparam sem que haja um perigo real que as ameace. Nesse caso, mesmo não existindo perigo, a ordem vai ser dada e o organismo vai se preparar para enfrentar esse perigo inexistente. Só que agora a pessoa envolvida terá toda sua atenção direcionada aos sintomas provocados por essa transformação. Por não entender a razão dos sintomas e as alterações verificadas em seu corpo, ela entra em pânico por acreditar que corre risco de vida. 

 
 O mecanismo que induz ao disparo indevido do alarme está relacionado a um distúrbio químico genético dos neurotransmissores, substâncias responsáveis pelo transporte de mensagens de um neurônio para outro, dentre elas a serotonina e a noradrenalina, através de um espaço entre os neurônios denominado de fenda sináptica.


 Essa transformação bioquímica tem um nome:  TRANSTORNO DO PÂNICO – TP ou Síndrome do Pânico como é mais conhecido. Essa alteração de nome foi determinada pela Organização Mundial de saúde (OMS), por não mais classificá-la como doença, mas sim como um transtorno. O TP é  um distúrbio de ansiedade que atinge 4 % da população brasileira, responsável pelo afastamento de mais de oito milhões de pessoas de suas atividades profissionais e sociais.   90% dos portadores  desenvolvem agorafobia e 50% depressão.


Agorafobia é uma fobia que leva o portador a evitar lugares abertos, ou de saída difícil, ou sem possibilidades  de socorro imediato. Deriva do Grego: Ágora = Praça.


Segundo pesquisas recentes, sua origem é genética e está  ligada à duplicação de cromossomo, no qual, mutações em determinados genes resultam na formação de proteínas que se agregam aos neurotransmissores, resultando na sua recaptação pelo neurônio de origem, o que   levaria ao disparo indevido das amígdalas provocando uma crise no predisposto.


As crises envolvem os seguintes  sintomas clássicos: calafrios; confusão mental; despersonalização; desconforto abdominal; distorção da realidade; dor no peito; falta de ar; fechamento da garganta; formigamento; medo de morrer, de enlouquecer ou de cometer ato descontrolado; náuseas; ondas de calor; palidez; palpitações; sudorese; taquicardia; vertigem ou sensação de desmaio.

 

Além dos sintomas clássicos, outros são relatados pelos portadores: acordar sobressaltado; atordoamento; boca seca; cabeça pesada; contrações musculares; extra-sístoles; flatulência; intestino solto; irritabilidade; metabolismo acelerado; pés e mãos gelados; rubor facial; sede constante; urinar com freqüência e zumbido no ouvido.


O portador não sente todos esses sintomas de uma só vez, sente em grupos, com variações em cada crise, passando por todos em diferentes crises ou sem sentir alguns. As crises têm duração de alguns minutos, com algumas repetições na semana,  mas, dependendo do grau de ansiedade do portador, podem  estender-se por  várias horas, com várias repetições diárias. Quatro sintomas clássicos indicam probabilidade de diagnóstico positivo ao TP.


Os primeiros diagnósticos geralmente acontecem nos atendimentos de urgência, pois nas primeiras crises o paciente e seus familiares acreditam que exista  risco de vida. O paciente deve ser encaminhado a um psiquiatra para um diagnóstico final, pois esse distúrbio se enquadra na psiquiatria. O psiquiatra, antes do diagnóstico, vai solicitar exames clínicos e laboratoriais para descartar outras doenças com sintomas semelhantes.


Depois de confirmado o diagnóstico do TP, o psiquiatra poderá, a seu critério,  prescrever o uso de antidepressivos e tranqüilizantes. Em casos de Agorafobia, um(a) psicólogo(a) será indicado(a) para aplicar  a terapia. A mais indicada é a  Cognitiva Comportamental.


A função dos antidepressivos nos neurônios é impedir que os neurotransmissores sejam recaptados pelo neurônio de origem, ou destruídos durante a sua travessia na fenda sináptica, impedindo que as mensagens sigam o seu destino. Neurotransmissores (serotonina e noradrenalina) são substâncias químicas que transportam as mensagens entre os neurônios. Fenda sináptica, é um espaço entre os neurônios.


O TP é um distúrbio químico, genético, crônico e  recorrente, pode retornar após vários meses ou anos, mas se tratado convenientemente, reduz as probabilidades do retorno das crises que, se ocorrerem,  serão mais brandas.

 

O TP surge em pessoas predispostas geneticamente a ele após situações traumáticas e ou estressantes, tais como: perda de suporte social, ou familiar; estresse e tensão constantes;  uso de drogas e ou substâncias panicogênicas. O sexo feminino, devido a questão hormonal ser mais intensa, possui maior predisposição no seu desenvolvimento na proporção de 3 mulheres para cada homem.


O controle do TP já permite que o portador, mesmo sem  estar curado, tenha uma vida social e profissional normal. Alguns sintomas isolados de baixa intensidade persistem na fase de controle, mas podem ser facilmente controlados com exercícios de relaxamento e respiratórios, sem  necessidade de retornar aos medicamentos, os quais, nessa fase, não surtem efeito.


O apoio e esclarecimentos sobre esse distúrbio são importantes para a recuperação dos portadores, bem como para sua reintegração à sociedade.  Pensando nisso, o escritor Fernando Mineiro, fundou em 12 de setembro de 1999 o GruPan®, Grupo de Apoio aos Portadores do Transtorno do Pânico, hoje com 16 anos em atividade.


O GruPan® é um grupo voluntário de auto-ajuda. Não recebe verbas governamentais, se mantém ativo com a venda do livro "Tenho a Síndrome do Pânico, mas ela não me tem!", já na sua 3ª edição revista e ampliada.Tem como finalidade dar apoio aos portadores do Transtorno do Pânico - TP, Transtorno Fóbico Social - TFS(Fobia Social), Transtorno de Ansiedade Generalizada - TAG, Transtorno Obsessivo Compulsivo - TOC, Transtorno de Estresse pós traumático - TEPT e Fobias específicas, sem interferir na relação médico-paciente, por intermédio dos seguintes projetos:

Palestras educativas -    em bairros, empresas e em outras cidades. Visa passar informações disponíveis sobre esse distúrbio e esclarecer dúvidas.


Projeto Novos Grupos -  incentivamos a criação de novos grupos de apoio em cidades.

 
Projeto Bons Profissionais da Saúde Mental – relaciona profissionais que se enquadram em um perfil de bom atendimento e bons resultados, sugeridos pelos próprios portadores.


Apoio via Internet – Envio de mensagens aos cadastrados do GruPan relacionadas à elevação da auto-estima, informações sobre os Transtornos de Ansiedades e Afetivos e técnicas de respiração e de relaxamento visando o controle da ansiedade.

 

Fernando Mineiro é autor do livro:  "Tenho a Síndrome do Pânico, mas ela não me tem!" - 3ª edição. Mantém uma página na Internet no endereço: www.sospanico.com.br e no facebook: https://www.facebook.com/groups/grupansospanico. É portador desse distúrbio há 54 anos, 35 sem diagnósticos, um ano de tratamento medicamentoso, 8 na fase de controle sem crises e sem medicamentos, porém com sintomas isolados, mas perfeitamente administráveis com exercícios respiratórios diafragmáticos e de relaxamento. Nessa fase os medicamentos não são indicados. Está  há mais  11 anos sem nenhum sintoma isolado.


Vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=qT3YSyLQMds

  
Para informações, envie uma mensagem.para
fmineiro@yahoo.com.br

 

Copyright © Fernando Mineiro - www.sospanico.com.br . Permitido a reprodução deste texto na íntegra, sem cortes, incluindo esta observação

 

 

 

NOTÍCIAS DO GruPan®

 

PESQUISA GENÉTICA DA UFMG NO GruPan®

Polimorfismo de genes relacionados a Serotonina

 

O GruPan participou, através de seus cadastrados, do Projeto "Transtorno do Pânico e Polimorfismo de Genes relacionados à função serotoninérgica". O projeto foi coordenado pelo psiquiatra Prof. Dr. Humberto Correa, co-coordenado pelo Psiquiatra Prof. Dr. Marco Aurélio, tendo como pesquisadora a Psiquiatra e Mestranda, Dra. Patrícia Figueira Rodrigues, ambos da UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais.


A participação do GruPan nesse estudo se deu no encontro mensal do GruPan do dia 02/08/03, com a presença dos Psiquiatras acima citados. Foi exibido um filme sobre a característica desse estudo e as explicações de como será desenvolvido. Houve total adesão dos presentes.


Este estudo visou encontrar mutações genéticas que ajudariam a explicar o aparecimento do Transtorno do Pânico, envolvendo o neurotransmissor serotonina, o que resultaria em novas abordagens no tratamento do TP, uma melhor compreensão de parâmetros clínicos e biológicos que possam estar associados ao TP, o que poderá, no futuro, ter métodos mais eficientes na identificação de pessoas com maior risco de apresentarem o TP.


O estudo teve a duração aproximada de dois anos e envolveu 100 portadores do TP, em fase ativa, sob controle ou mesmo aqueles que conseguiram a cura. Na primeira fase foi feita uma entrevista para determinar sintomas que sugiram um diagnóstico do TP. Na segunda fase, foram feitas novas entrevistas que visavam dar maior clareza no diagnóstico e sobre algumas características de personalidade. Na terceira fase, foram coletados 5 ml de sangue para estudos de genes relacionados à função da serotonina.


O estudo comprovou a questão genética do TP e a baixa concentração do aminoácido triptofano, um precursor do neurotransmissor serotonina nos portadores do TP.

 

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ÍNDICE

 

 

DEPOIMENTOS

 

Nota: Alguns dos depoimentos abaixo, no sentido de preservar a identidade do autor,  tiveram a sua publicação autorizada sem constar a sua autoria. Os medicamentos citados nos mesmos foram eliminados para não induzir a automedicação. Se você se identificou com algum depoimento e quer entrar em contato com o autor, escreva-me citando o número do depoimento que lhe chamou a atenção.

 

Você poderá enviar também o seu depoimento. Com a sua autorização, após análise, ele fará parte desta Home Page. Sua identidade será preservada, mas se você quiser e autorizar, seu nome e seus dados poderão constar.

 

Envie o seu depoimento ou solicite contato com alguns dos autores dos depoimentos abaixo

 

Você que já tem o seu depoimento divulgado aqui , envie outro depoimento descrevendo como está sua saúde agora.

 

fmineiro@yahoo.com.br

 

1 - Comerciante, 38 anos. Eu voltava de carro para casa após um dia exaustivo. O trânsito estava engarrafado, de repente senti um desconforto abdominal seguido de um calafrio por todo o corpo, meu coração disparou, minha respiração ficou ofegante. Senti que estava tendo um ataque do coração. Comecei a buzinar e entrei em pânico. Nunca havia sentido isso em minha vida. Um guarda de trânsito socorreu-me e levou-me ao pronto-socorro. O trajeto durou 20 minutos e quando cheguei ao pronto-socorro, todos os sintomas haviam desaparecido. O médico examinou-me e nada constatou. Dias após, os sintomas voltaram e sucessivamente foram acontecendo. Dois anos depois tive o diagnóstico: Síndrome do Pânico

 

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2 - Professora 27, anos. Estou presa em casa, não tenho coragem de passar do portão, já tentei, mas logo começo a suar frio e meu coração dispara. Tomo medicamentos há 2 anos e também não consigo ficar sem eles. Abandonei minha profissão de professora. O mundo parece que acabou para mim.

 

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3 - Recepcionista, 22 anos. Sou portadora da Síndrome do Pânico. Tenho sensações horríveis e um medo de morrer fora do normal. Já tive várias crises, mas nunca cheguei a parar no pronto-socorro, pois achando que tinha algum problema cardiológico, comecei a navegar em sites sobre cardiologia, foi então que encontrei um site sobre Síndrome do Pânico e passei a ler e a colher vários depoimentos e relatórios sobre a doença. Interessei-me muito, pois eram exatamente todos aqueles sintomas que eu estava sentindo. Foi aí que veio minha desconfiança e o controle sobre as minhas crises. Procurei um cardiologista, fiz exames de rotina, pois sou portadora do prolapso de válvula mitral. Ainda não retornei com os resultados, sinto medo do que possa estar lá. Fui a uma psiquiatra e ela diagnosticou Síndrome do pânico, pois nenhum medo excessivo sem perigo real é normal. Passou-me antidepressivos, mais ainda não comecei a tomá-los; falta coragem. Tenho crises horríveis, mais continuo com a minha vida e consigo enfrentar meus medos. Talvez no meu caso esteja se gerando uma certa hipocondria; sempre acho que vou ter alguma coisa; minhas preocupações são sempre com o coração e com a cabeça. A todo o momento acho que vou ter um infarto ou um derrame cerebral. Tenho procurado ajuda também na religião. Tem-me feito bem; só que ainda tenho um forte mal-estar. Às vezes me sinto triste, deprimida e estressada, as crises me deixam muito cansada. Tenho o medo do medo.

 

Li a sua página na internet, achei muito legal e serve como uma auto-ajuda. Descobri até alguns outros sintomas que estou sentindo e que têm a ver com a Síndrome. Já percebi que as crises vêm quando alguém me fala se não sei quem teve um infarto ou quando não sei quem teve um aneurisma, mas também vem sem motivo algum.

 

Tenho tido muita força por parte de meus familiares e, principalmente, do meu marido. Tenho um filho de 7 meses, inclusive a médica disse-me que no meu caso pode ter sido uma disfunção hormonal que gerou as crises. Na hora dos hormônios se reverterem ao normal, com o fim da gestação, houve uma complicação, tanto que ela me pediu uma série de exames hormonais, um eletroencefalograma e exames de sangue para medir a quantidade de serotonina em meu organismo. Foi mais ou menos isso que entendi. E o porquê desse pensamento fixo em meu coração e cabeça e qual o perigo que isso representa para minha saúde física? Muito Obrigada.

 

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4 - Empresária, 35 anos. Eu fico feliz em saber que não estou sozinha nesta batalha. Por mais que as pessoas com as quais convivemos falem que entendem, eu sei que elas se esforçam. Gostei muito da sua poesia. Ela é totalmente real. Só quem tem que sabe. Tenho 35 anos. Há 7 sofro da Síndrome do Pânico. Tomo medicamentos há 2 anos. Fiz terapias de todos os tipos, até descobrir o que tinha. Estou com a mesma psicóloga há 2 anos. Comigo, o início de tudo foram as crises sozinhas. Mas achava que era por causa do meu trabalho, ao qual não estava acostumada. Perguntava às pessoas se elas sentiam isso; todos diziam que não, é obvio. Descobri que tinha TP depois de sofrer 4 anos, mais ou menos. Até então era frescura, covardia, fraqueza, falta de serviço. Os meus vizinhos riam de mim. Meu marido me levava a todos os lugares em que eu achava que me sentiria bem, às vezes com briga, mas a gente faz qualquer coisa para passar aquele sintoma. Fiquei 1 ano tomando um tipo de antidepressivo que elimina totalmente o prazer sexual. Temos de ter paciência.

 

Hoje tomo antidepressivo. Faz tempo que não tenho crises sem motivo aparente, mas infelizmente tive varias fobias como:  elevador, avião, passar de carro em viadutos e pontes, vigilância permanente com meus filhos, tirar as crianças  da escola em dia de chuva, praia, cinema, supermercado lotado, trânsito. Mas hoje estou quase boa. Ficou uma fobia aterrorizante, a chuva, que não quer desaparecer de jeito nenhum. Por isto, continuo com medicamentos e terapias. Pode-se dizer que sofro menos, mas minha vida ainda é limitada, porque este medo não dá para evitar, por exemplo, não andar de elevador. Eu moro em casa térrea. Posso viver sem elevador. Mas chega o verão, e, às vezes, chove 3 vezes no mesmo dia. É loucura. É muita dor para mim e minha família, principalmente meus filhos. Só saem de casa se não for chover. E assim vai. Espero, um dia, te dizer que isto sumiu. Gostei muito do seu site.

 

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5 - Farmacêutico, 44 anos. Prezado Fernando! Estava navegando dia destes e abri sua mensagem sobre Pânico. Confesso que me identifiquei profundamente com você e seus sintomas. Estou de recesso do trabalho, escrevendo-lhe este E-mail, mas não consigo relaxar! A simples aproximação do dia de retornar ao trabalho  embrulha o estômago, cobre-me de suor, reveste-me de um mal estar indescritível. O desejo de morte é eminente! Fique tranqüilo, jamais atentaria contra minha própria vida. Amo demais minha família e a simples idéia da separação é repelida com veemência. Como você pode ver, não tenho medo da morte, de lugares abertos ou fechados, elevadores, violência das ruas, aglomerações, assaltos, enfim; nada disso me assusta. Tenho pavor das mudanças, das alterações impostas por um ritmo de vida alucinante, esta necessidade de produzir mais. Houve mudanças radicais no meu trabalho e o pessimismo me invade, pois na minha imaginação obsessiva não terei competência e nem capacidade para dar conta do recado. Quando dou por mim, estou pensando nestas situações, esgotado, com a testa, principalmente, marejada de suor. Não consigo desligar! E que sofrimento, meu amigo! No trabalho, então, a coisa é muito pior. Se alguém precisa falar comigo, já começo a imaginar o pior; que vou ser advertido ou que uma nova imposição vai ser colocada. Não consigo esconder minha aflição e nem a testa constantemente molhada. Já pensei várias vezes em abandonar tudo, mas sei que não posso. Tenho dois filhos maravilhosos para acabar de criar. Considero-me, muitas vezes, um covarde por ter tanto medo de viver e enfrentar os percalços que a vida nos prepara. Tenho recebido muita ajuda de meu terapeuta, apeguei-me à religião. Minha família tem sido de vital importância, principalmente minha esposa, que é uma santa e tem segurado uma barra enorme. Sei que é muito difícil conviver com uma pessoa com TP. Tomei medicamento por algum tempo, mas, em comum acordo com meu psiquiatra, deixei de usá-lo, em função dos terríveis efeitos colaterais (antidepressivo). Algumas pessoas têm me ajudado também em meu ambiente de trabalho, enquanto  outras parecem ser indiferentes ao meu sofrimento. Esta, infelizmente, é a vida; e cada um tem uma cruz para carregar. A minha está muito pesada.

 

Estou, neste momento, escrevendo-lhe este E-mail com uma enorme carga de ansiedade, pois se aproxima a hora de voltar ao trabalho, onde reside a maior fonte de meu conflito. Esta será uma noite de cão. Normalmente não consigo dormir nessas ocasiões. Acho que já amolei bastante e sinto-me um pouco mais aliviado por me abrir com uma pessoa com o mesmo tipo de problema. Em tempo, tenho 44 anos, TP desde os 18 e diagnóstico fechado há 2.

 

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6. Jornalista,  32 anos. Pelo menos 10 de Síndrome de Pânico, que foi detectada por mim mesma, logo no início. Estou sob controle, levo uma vida muito ativa e normal, mas não ando sem o ansiolítico na bolsa.

 

Comprei um programa para fazer uma reprogramação mental, mas não tenho tido tempo. Acho, no entanto, que ele ajuda a equilibrar, pois proporciona relaxamento.

 

Quero dizer às pessoas que têm o Transtorno do Pânico, que fiquem certas de que acabamos encontrando as soluções. Como o amigo Fernando disse, o apoio da família é fundamental. Meu marido não entende muito, acha que é frescura, que tenho que me controlar. No começo desse ano, passei maus bocados quando ele confiscou meus remédios. Acho que a gente tem que se conformar e tomar a medicação. O que não podemos deixar acontecer é a crise, pois depois de uma, facilmente virão outras. Estou há mais de 2 anos sem crises. Quero mais informações, atualizações, ajudar outros portadores que ainda não entendam da doença, porque eu acho que já lido bem com isso, apesar da evidente dependência química. Infelizmente. Tomo o remédio em situações em que percebo que estou ficando muito ansiosa. Fora isso, trabalho muito, faço um jornal quinzenal praticamente sozinha, faço documentários em vídeo, lancei um CD, em parceria com um amigo, recentemente. Tenho uma filha linda e um marido que me ama. Isso é fundamental. Não quero divulgação do meu nome. As pessoas ainda têm muito preconceito por ignorância. Acabam achando que você é maluco. Se eu puder ajudar alguém, ficarei satisfeita.

 

Se você tiver alguma informação a mais para me passar, por favor, o faça.  Gostaria de trocar informações, falar mais sobre o assunto e, principalmente, acalmar os amigos que descobriram agora a Síndrome e não sabem lidar com ela. Um abraço.

 

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7 - Empresário, 39  anos. Em 1990, morando em MG, fazendo uma viagem costumeira de carro, tive minha primeira crise de pânico (hoje sei!). Durante o percurso, tive que encostar o carro 4 vezes, para ver se passava o mal estar. E ao tentar a 5ª vez, vi que já não tinha mais condições de conduzir o veículo. Parei, então, um carro que tinha 4 passageiros e pedi se podiam conduzir meu carro até o meu destino (faltavam apenas 2 km). Generosamente, me ajudaram e cheguei ao meu destino. Estava me sentindo melhor. Lá, liguei para minha esposa, para que viesse até onde eu estava, e conduzir o carro de volta, pois estava sem condições.

 

Chegando à minha cidade, foi aquele batalhão de exames e mais exames, e nada!

O cardiologista me falou em stress e me medicou. Comecei a me sentir mal novamente, mas não da forma anterior. Hoje sei que ele estava certo. O mal que eu sentia era o efeito colateral dos medicamentos. Parei de tomá-los. Se tivesse sido orientado melhor, e tivesse continuado com os medicamentos, talvez não me encontrasse onde estou hoje. Aumentei então o medicamento e, depois, fui para o outro por conta própria.

 

Eu tinha um restaurante na época. Perdi totalmente o interesse pelo mesmo. Uma pessoa como eu, aventureira e destemida, precisando agora de companhia para ir até a próxima esquina, ou para ficar em casa? Meu deus! Stress? Isto era frescura de psicólogos! Nunca respeitei estes distúrbios. Sempre achei que um bom amigo substituía um psicólogo.

 

E assim fui caminhando na minha vida, sempre com uma muleta (alguém) do meu lado. Até que o assunto pânico entrou em evidência na mídia e aí comecei a perceber que o que tinha era aquilo mesmo de que falavam. Descobri, então, uma psiquiatra em SP. Fui fazer um tratamento com ela e comecei a tomar o outro medicamento. Melhorei bastante e adquiri novamente minha autoconfiança (mas sempre com uma muleta ao lado). A tal ponto que, muitas vezes, parava de tomar o remédio para tomar uma cerveja. Estava indo bem. Um dia resolvi sair de carro sozinho (morava a 6 km da cidade) e fiquei no meio do caminho por causa do pânico. Pensara estar curado!

 

Fechei então o restaurante, e fui procurar novamente a médica em SP. Tratei-me com outro medicamento por um ano, até que ela o foi retirando gradualmente. Fiquei, então, somente com o tranqüilizante, fiquei um bom tempo só com ele (2mg/dia), acho que 4 anos, mas não conseguia me livrar das muletas. Quando digo muletas, me refiro aos conhecidos, amigos, minha esposa, familiares e, hoje, até meu filho que tem cinco anos!!!

 

Fui, então, morar em Salvador (1994). Depois de certo tempo, não me conformando com esta situação, voltei a procurar um psiquiatra de lá que diziam ser o melhor. Fui ao mesmo e ele trocou de medicamento. Mandou-me andar sozinho, dirigir sozinho, tentar e tentar! Realmente, o novo medicamento me animou mais, tanto que o uso até hoje (3 anos e pouco). Já dirigia com vontade, pegava estrada, entrava em lugares cheios, engarrafamentos etc., mas sempre com uma muleta ao lado. Fui chamado a SP, pois meu pai estava muito mal. Fui com a família toda. Ele estava mesmo. Graças a Deus,  ao bom médico que tem e à família que se empenhou muito, ele se levantou! Mas meu pai não se dava bem com minha esposa e por isto achei melhor ela e meu filho irem para a casa de seus pais, em Minas, e eu ficar mais um pouco com ele, até seu estado clínico ficar estável (isto durou um ano).

 

Não gostando de SP, apesar de ser paulista, e estando meu pai num quadro estável, vim para MG e aluguei uma casa para morar com minha esposa e filho. Meu ramo de atividade atualmente é de uma pequena gráfica por computador em casa mesmo! Não poderia ser diferente; fora de casa, para mim, é difícil. Apesar de gostar e me empenhar em tudo que faço, este ramo está cada vez mais difícil. Afinal, quase todo mundo tem seu pc e faz seus próprios cartões de visita, envelopes etc. Vendo a nossa situação financeira ficar cada vez pior, (para não dizer catastrófica), a vida conjugal com contínuas brigas por motivos financeiros e olhando para o amanhã em relação ao meu filho. Ano que vem vai ainda ao pré, mas com certeza, na 1ª série vai precisar de um bom colégio e cursos suplementares (um garoto inteligente). Fiquei pensando o quanto esta "doença", por assim dizer, me atrapalha. Poderia, facilmente, arrumar um emprego e ganhar o suficiente para manter nós três. Poderia...!!! mas não posso!

 

Por não agüentar mais esta situação de impotência diante da vida, é que procuro ajuda. Queria um lugar em que eu pudesse ser tratado deste "medo de ter medo", e ficar neste local, até ser curado totalmente e poder sair sem muletas e sem medo. Não posso pagar pelo tratamento, pois não tenho condições financeiras para tal, mas também não gostaria de recebe-lo sem ser útil em alguma coisa. Gostaria de me tratar, uma cama e um prato de comida! Em troca daria trabalho, no que sei, e, o que não sei, aprendo, e o farei com competência. Sei que é difícil o de que gostaria, mas gostaria muito de sair desta e ficaria eternamente grato a quem me desse uma oportunidade. Sei que o mundo, hoje, gira em torno do dinheiro, mas acredito também no bom Deus e seus filhos.

 

É bem difícil para eu estar aqui, escrevendo esta, mas agradeço de antemão, qualquer ajuda; seja uma indicação de algum lugar ou pessoa. Não quero ficar perdido como estou agora, sem poder olhar para o futuro e almejar algo feito com as próprias mãos. São quase 10 anos com isto. Desculpe-me pelos possíveis erros de português. Por favor, me ajude!

 

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8 - Escriturário, 25  anos. Sempre fui meio hipocondríaco. Num dia estava voltando de uma viagem, aproximadamente há 4 meses. Nesta viagem, onde eu e amigos bebíamos e saíamos, noite após noite. Não voltei com meus amigos, pois quis voltar um dia depois deles. Acabei de carona, com uns conhecidos de longe. Acho que, inclusive, isso também ajudou a piorar tudo. Chegando em São Paulo, pegamos a marginal totalmente parada e um calor infernal. Foi quando comecei a sentir coisas estranhas no interior do meu abdômen, como se fosse nos órgãos internos. Comecei a ficar em pânico. Logo achei que meu coração também estava se comportando mal. Veio uma sensação de dormência, de cima a baixo, no meu corpo. Fiquei desesperado e pedi ajuda a eles, mas, a essa altura, nem a minha voz saia direito; meus músculos do trapézio, mãos e braços ficaram totalmente travados e eu não conseguia movê-los de forma alguma. Minha mão não abria por nada. Aí, eles começaram a me acalmar e a jogar água na minha cabeça. Um milagre fez com que uma ambulância passasse  ao nosso lado, com a sirene ligada, e meu conhecido grudou nela ate sairmos do trânsito. Paramos num posto de gasolina. Eu ainda travado, mas não mais anestesiado. Saí do carro e fiquei andando de um lado para outro, tentando relaxar. Com o tempo, fui relaxando, até que meus braços e mãos voltassem ao normal. Voltei ao carro e a cada farol que fechava ficava desesperado. Foi a pior sensação que já senti em minha vida inteira. Fui ao médico gastro e ele fez uma bateria de exames e disse que eu não tinha nada. Depois fui ao neuro e fiz eletro e vários exames de sangue e também nada. Eu disse que ainda ia ao cárdio e ele logo me disse que eu tinha Síndrome do Pânico e que a bebida agrava, pois no dia seguinte da farra você se sente mal e também fica mais sensível a esse tipo de coisa. Ele me passou um ansiolítico para tomar, mas eu só tomo quando sinto que posso ter a crise de novo. Mas, desde o dia que eu tive a crise completa, penso naquilo, todo dia e toda hora. Agora que eu estou conseguindo enfrentá-la, estou pensando menos nela, porque faz algum tempo que parei de sentir que posso tê-la. Mas, um trânsito, num dia de sol igual ao que eu peguei naquele dia, nunca mais me arriscarei a pegar. Quanto ao álcool, não bebo mais de 2 dias seguidos de jeito nenhum.

 

Uma coisa que eu percebi na Síndrome: se você tenta fugir dela, saindo do ambiente em que você está,  é pior. Às vezes em que fiz isso, minhas mãos começaram a travar de novo. Voltei para o lugar, não sei nem como tirei forças, mas voltei, acalmei e a crise passou. Mesmo assim, o único lugar em que me sinto totalmente seguro é em casa. De umas semanas pra cá, andei saindo bastante, e isso foi muito bom porque parei de acordar pensando na Síndrome, e isso me deixou muito feliz. Espero, com o tempo, esquecê-la para sempre e nunca mais tê-la. Tomara que Deus me ajude!

 

Se alguém que nunca teve, ler isso, vai achar que eu sou louco, mas só tendo, para saber como é horrível esse negócio. Se você puder me dar alguns conselhos e dicas, mande e-mail para mim. A minha dica é não ficar com medo e tentar enfrentar, de frente, por mais difícil que seja.

 

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9 - Programador de computador, 28 anos. Eu sou casado há 6 anos, nenhum filho. Nasci no mês de março, no dia 17, logo se nota o signo peixes. Nasci, segundo minha amada mãe, às 22:00, portanto signo Peixe com ascendente Libra. Na verdade, não me amarro muito nesses lances astrais. Estou só tentando me apresentar por completo, se é que isso completa alguma coisa.

 

Sou programador de computador e trabalho em projetos e desenvolvimento de sistemas específicos de informática. Moro no interior do Estado de São Paulo.

 

A minha primeira experiência com "a coisa", chamada cientificamente de  "Distúrbio do Pânico", ou "Síndrome do Pânico", ou ainda "Transtorno do Pânico", foi há 10 anos atrás. Na verdade, eu tinha 18 anos e estava calmamente jogando xadrez com minha irmã. De repente, "a coisa" veio. Veio bem maneira; não foi aquela crise braba, foi maneira, porém totalmente anômala a qualquer outra crise que, possivelmente, já houvesse tido.

 

Depois dessa ocorrência, é lógico, que trilhei o caminho óbvio:  pululando de especialista em especialista, na ordem:  cardiologista, neurologista, clínicos gerais de quase todo o arquivo de cadastro do CRM. A resposta (graças a DEUS): você não tem nenhuma doença, nada. A única coisa que acharam pra mim foi o tal prolapso na válvula mitral (outra forma de dizer que você tem um coração "perfeito", salvo alguma imperfeição).

 

A primeira crise brava mesmo veio há 3 anos. Em meados de novembro de 1997. Portanto, mais ou menos sete anos depois daquela breve apresentação da  "coisa" em minha vida. Em meados de 1996, perdi duas cunhadas com câncer. Uma com 37 anos e outra com 27 anos. Acompanhei toda a via-crúcis, e, até hoje, não me acertei com estas perdas e outras mais. Na verdade, eu não consigo lidar com a idéia da partida, da ida sem volta. Talvez seja por eu ser muito encanado com as coisas humanas. Gostaria que fosse como diz a bíblia: - "E você descerá para o túmulo em avançada idade, como feixe de trigo colhido em tempo certo..." (segundo Jó).

 

Logo fui ao especialista da "coisa". O psiquiatra! Porém, antes de ir ao psiquiatra, eu já havia feito uma pesquisa sobre o assunto e já tinha o meu diagnóstico por mim mesmo:

"Síndrome do pânico". Foi batata. O psiquiatra atestou minha auto-rotulação e iniciamos o tratamento. Ufa! Alívio imediato para as crises quase nunca constantes, embora presentes.

 

Estou há três anos em tratamento. Na verdade tive uma recaída brava no final do ano passado, em 1999. Eu fui à Ubatuba curtir uma praia e enchi a cara de cerveja, não me alimentei direito e tive um desmaio, o 1º da minha vida. Desmaiei por uns 2 minutos, de pura overdose de ignorância e infantilidade, pois, exagerei na bebida, consumindo álcool 12 horas seguidas e comendo as porcarias peculiares em beira de mar:  ostras, porções, etc... O resultado foi desidratação total. Meu corpo chegara ao limite extremo. Inconscientemente, sempre desafiei meu corpo, por saber que tenho um bom porte físico e, "graças a Deus e à minha constituição genética", tenho boa saúde. Só com o episódio relatado, "caiu a ficha" que preciso preservar essa dádiva. Por isso, agora não bebo mais e estou medicado. Gostaria de saber de algum relato sobre alguém que realmente tenha desmaiado de pânico.

 

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10 - Funcionária Pública, 35 anos. Foi muito bom ter lido seu depoimento. Foi como se tudo que está escrito aí fosse escrito por mim. Tenho 35 anos, e desde os 15 (que me lembre) tenho o desconforto de passar por momentos de crise, de TP. Nem preciso descrever tudo que senti, mas é um alívio saber que deixei de fazer pouquíssimas coisas por me sentir impotente. Sempre enfrentei o TP (se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, se encarar o bicho some...). Não, não some. Mas, que diminui, isso é real. Hoje, tomo um ansiolítico quando sinto que as "coisas" estão começando, e sei que vai passar rápido. Tenho apoio de profissionais que se tornaram mais meus amigos. Só não acertei no parceiro, que sempre achou que fosse "piti" e nunca me apoiou. Tenho duas filhas lindas, e, infelizmente, acho que o TP já se apresenta em uma delas. Mas sei como lidar e posso ajudá-la muito mais sabendo o que ela sente (ela diz que está pensando coisa ruim...).

 

Fiz 2 cursos superiores, Pós-Graduação, e trabalho em um órgão público estadual. Muitas vezes me revoltei por me sentir como se fosse morrer e, em questão de minutos, me definirem como maluca, já que tudo havia passado. Hoje, quase ninguém percebe quando estou indisposta e consigo me controlar com respiração, ou tento me concentrar em outras coisas, como movimentos repetidos, tentar lembrar uma música ou poesia. Ou mesmo, brincar com as crianças. Quero dizer que dá pra conviver com a TP, de igual pra igual. Ninguém deve desistir. Devemos sempre ser felizes, mesmo com nossas limitações.

 

Parabéns pelo seu estudo e dedicação, e um beijo à sua esposa que te entende quando você precisa.

 

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11- Estudante, 26 anos. Antes de revelar como o Pânico entrou em minha vida, voltarei um pouco no tempo para fazer algumas observações.

 

Na minha infância, fui uma criança tímida e medrosa; conseqüentemente me tornei um adolescente muito inseguro. Fui muito pressionado pela minha família em relação ao trabalho e estudos. Minha família me cobrava muito e, com isso,  passei a me cobrar também. Daí, então, tomei uma decisão: - decidi que superaria todos os obstáculos para ser "o melhor dentre os melhores", como aluno e profissional. Infelizmente não cheguei a realizar isso, pois "algo" me impediu. Vou contar-lhe como isso aconteceu:

 

Na época, eu estava com 19 anos e cursava o 2º ano científico. Certo dia, na sala de aula, comecei a sentir um enjôo muito forte. Mas esse sintoma não veio sozinho, senti também um mal estar abdominal. Aquilo me assustou. Tive medo de passar mal na frente de todos. Juntamente com os sintomas descritos anteriormente, vieram a sudorese, tremor e uma tonteira. Quando o sinal tocou para o intervalo, fui para o banheiro imediatamente e fiquei lá até que o mal estar passasse. Devido ao constrangimento, não deixei que ninguém percebesse. Lembro-me que, ainda no banheiro, chorava por achar que era gravíssimo e poderia morrer. Depois do mal-estar passar, voltei ao normal e nem dei importância. Mais calmo, pensei que fora algo passageiro. Enganei-me, o mal estar se repetiu em vários lugares. Tinha crises no ônibus, festas, casas de amigos, etc. Devido à associação que fiz com todos os lugares em que tinha as crises, praticamente deixei de sair de casa. Fiz exames médicos e nada acusaram. Após vários diagnósticos equivocados, os médicos consideraram-me portador do Transtorno do Pânico.

 

Algumas vezes cheguei a fazer terapia, mas sem grandes resultados. Tomei  antidepressivos e ansiolíticos. Porém, os efeitos colaterais dos antidepressivos me fizeram desistir.

 

Atualmente não estou fazendo nenhum tipo de tratamento, o que só piorou a minha situação. Hoje passo por uma tristeza muito grande, tenho muita dificuldade de sair de casa. Tomei conhecimento do trabalho que vem sendo realizado pelo  GruPan, Grupo de Apoio aos Portadores do Transtorno do Pânico; vou procurá-lo para tirar algumas dúvidas e obter esclarecimentos.

 

Não poderia deixar de falar sobre uma grande vontade que tenho:  a de conhecer pessoas próximas a minha idade que não conseguem sair de casa ou, como eu, saem raramente, para nos ajudarmos mutuamente. Coloco-me à disposição para troca de experiências com quem se identificar com esse meu depoimento.

 

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12 . Publicitário, 35 anos. Há 10 anos convivo com o "pânico". Em 1990, com 25 anos, eu trabalhava no jornal da minha cidade. Trabalhava muitas horas por dia, me alimentava mal, dormia pouco e tomava muito café preto. Uma noite, eu e um colega fomos fazer uma matéria sobre os bares da cidade. Em cada um, tomávamos uma cerveja enquanto fazíamos as perguntas aos proprietários. Quando voltamos a redação do jornal, estávamos muito cansados e até um pouco bêbados. Deitei em um sofá para descansar um pouco; foi quando a minha vida começou a mudar para pior. O coração começou a disparar. Um calafrio me subiu pelo corpo, começou a me faltar ar, não conseguia me controlar. Levantei apavorado, corri para uma janela e comecei a gritar para o meu colega:  socorro! Estou morrendo, pelo amor de Deus, estou morrendo! Ele tentava me acalmar. Só comecei a me acalmar quando lavei os pulsos e a nuca com água fria. Fui para o Hospital "meio atordoado". Meu Deus! O que era aquilo? Nunca tinha visto nada igual. O médico me aplicou uma injeção e mandou eu ir para casa dormir. Por três dias seguidos tive as crises. Alguns meses depois, acordei com um zumbido no ouvido, e que continua até hoje. Nunca consegui curar.

 

Com o passar dos anos, algumas vezes eu ficava ruim, mas não chegava a dar a crise forte. Fui a um psiquiatra e ele me receitou um antidepressivo, tomei uns 5 ou 6 e parei, achei que era bobagem, nunca mais tive a crise e achava que poderia me curar sozinho. Sempre conseguia me controlar. Agora, ou melhor, nos últimos meses, tomei cerveja todos os dias, e sempre ia dormir quando o sono pegava (bêbado). Até que no dia 4 de março, fui a um baile de carnaval na cidade onde moram meus pais, tomei mais cerveja ainda. No outro dia, acordei mal. Mas nada assim exagerado. Quando vinha voltando para casa com minha esposa e meu filho, comecei a me sentir mal dentro do carro, sabia que a crise estava voltando. Procurei agüentar até em casa. Chegando lá, pedi para o meu cunhado me levar para o hospital. No meio do caminho, meu Deus! Senti a pior crise de todas. O coração não acelerou como da primeira vez, mas a sensação foi horrível. Achei que iria desmaiar (até preferiria). Cheguei ao hospital e tive que ficar na cama tomando soro por mais de 2 horas. Mas não era aquilo que eu precisava. Eu precisava de um remédio para dormir. Levantei da cama com soro e tudo, umas três vezes. Fui para casa, e a noite tive nova crise. Chamei meu médico e ele me deu uma injeção que dormi antes dele tirá-la do braço. No outro dia, mais uma crise. Tomei um remédio para dormir e "apaguei" novamente. Até que chegou uma salvação.

 

Achei que nunca iria me curar mais, o meu trabalho estava perdido, era o meu fim. Então eu e minha esposa achamos sua página na internet. Li tudo, e quando chegou nos exercícios, comecei a ler, relaxar, relaxar até que comecei a chorar, chorar e chorar. Chorei muito. Mas de felicidade em saber que não sou o único, que posso me curar. Voltei a tomar o antidepressivo. Estou trabalhando normalmente, às vezes, a crise vem, mas tento esquecê-la. Já consegui dormir (e bem) duas noites sem remédios. Estou lutando contra ela. Tento trabalhar e parece que ela não deixa, mas mesmo assim vou em frente, ela nunca me venceu, e nunca me vencerá. Gostaria de receber algumas dicas suas sobre como combatê-la (a crise). Um abraço.

 

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13 - Administradora de Empresa . 31 anos. Ola! Chorei hoje ao ler sua página na Internet. É, as pessoas sabem mesmo pouco sobre pânico. Eu também. Achei que só eu sentia esse desconforto, esta sensação de desespero. De uns três anos pra cá, venho sentindo alguns dos sintomas descritos; como angustia, frio intenso, seguidos de ondas de calor, suor nas mãos, taquicardia e formigamento pelo corpo.  Procurei todo tipo de especialista possível, mas nada encontraram. Eu tenho uma saúde muito boa, graças a Deus! Mas, os sintomas, eu continuava sentindo e estava muito confusa sem saber o que fazer, a ponto de chorar compulsivamente algumas vezes.  Outubro passado (1999), fiz uma viagem com uma amiga à Curitiba. Moro em Salvador. Longe de casa, do meu marido e das minhas filhas, senti a pior sensação da minha vida. Tinha a sensação que ia morrer! Tinha acabado de chegar. Fui para um hospital com o corpo todo formigando, com coração disparado, suando muito (estava muito frio). Tive que ficar esperando um certo tempo, vendo entrar outros doentes no hospital, o que me causava mais desconforto. Os médicos me examinaram, e para variar, me disseram que eu não tinha nada, que era psicológico!!! Achei que estava ficando maluca, me deu mais desespero e a sensação não passava. Tomei um remédio, não me lembro o nome. Passei a noite toda em claro  pensando horrores. Que precisava voltar, que estava longe, que ia morrer. Nossa, foi horrível! Nos dois dias seguintes, senti as sensações, mas tentei controlá-las dizendo a mim mesma que sou mais forte que elas. Mas às vezes não consigo, e tenho tido crises, algumas mais amenas e outras que não consigo controlar. Meu terapeuta tem me ajudado muito, mas eu preciso me ajudar tentando achar pessoas que já passaram por isso, e que me entendem, porque é muito triste as pessoas acharem que somos "frescas", que não temos nada. Para gente que tem, temos tudo! É desesperador não ser entendido.  Graças a Deus, meu marido tem me ajudado e tem procurado entender. Tenho mantido minhas filhas (13-9) fora do assunto para não assusta-las. É o certo?

 

Obrigada pela ajuda de esclarecimentos. Sua Home Page me ajudou muito hoje!!!!

Ajudem-me o quanto puderem, preciso e aceito ajuda!!!

 

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14 - Telefonista, 32 anos. Olá, Fernando Mineiro! Coisa boa encontrar seu site! Você pode usar meu depoimento se quiser ou apenas aceitar meus cumprimentos e minha gratidão por sua iniciativa tão bonita. Eu estava justamente procurando uma lista de discussões ou coisa parecida para poder dividir e conversar com pessoas que estejam sofrendo de pânico quando topei com você.

 

Meu caso é tão "light" que nem dá gosto. Tive três crises bravas em uma semana, soube já na segunda que era pânico. Na terceira, uma sexta-feira à noite, sozinha em casa, decidi fazer o que tinha que fazer. Sábado acordei, peguei a lista telefônica e liguei pro único psiquiatra - em São Paulo - que se dignou a deixar um número de bip. Fui atendida, em prantos, sábado à tarde. Saí do consultório para farmácia, comprei meus remedinhos e dormi em paz pela primeira vez em semanas. Aparentemente, uma depressão por dor de cotovelo aguda desencadeou meu desequilíbrio químico. isso faz um ano. Hoje estou no processo de diminuir gradativamente o antidepressivo para poder parar definitivamente de tomá-lo. Sinto-me imensamente abençoada e sortuda. O pânico modificou profundamente minha vida prática, para melhor, sinalizando coisas que precisavam ser resolvidas - sinalizando com muito barulho e alarde, eu diria!

 

Mas o que considero relevante aqui, é que o que me 'salvou' de passar por algo bem pior foi a informação. Saber o que eu tinha, entender o que estava acontecendo comigo e procurar a ajuda adequada e imprescindível imediatamente foram fatores fundamentais para que, hoje, eu possa escrever e pensar a respeito com o coração e os neurônios tranqüilos. Em paz comigo mesma, sobretudo. Informação é do que precisamos, em primeiro lugar. E informação é algo que podemos dividir, doar, dar de graça a quem precisa! Como você faz...

 

Se meu depoimento é assim tão  "light" e meu sofrimento foi tão pouco, em comparação às outras pessoas que convivem com esse trem, é exclusivamente porque tive a grande sorte de ter conhecimento a respeito. Que todas as pessoas que passaram por esse sofrimento possam dividir o que sabem. Fica aqui minha admiração e gratidão pela sua iniciativa e meu desejo intenso, mas muito grande mesmo, de que as pessoas possam ter acesso à informação e ao conhecimento - e voltarem a viver em paz consigo mesmas, com força, coragem e controle do TP. Porque, nós a temos, mas ela não nos têm!

 

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15 - Auxiliar Administrativo, 22 anos.   Até que enfim consegui descobrir meu problema. Aos 15 anos de idade tentei suicidar, achando que a vida não prestava mais. Tentei cortar meus pulsos para fugir de todos os problemas. Sempre tive muito medo de conversar com pessoas, pensando que elas não iriam me aceitar ou talvez pudessem me criticar. Era muito fechada. Até que um dia, aos 17 anos, consegui um emprego. Só que tinha muito medo das pessoas e vergonha de me expressar. Comecei, então, a fazer vários cursos de relacionamentos e assim com o passar do tempo fui perdendo o medo  da opinião que poderiam ter de mim. Dentre esses cursos, o mais importante foi o de inteligência emocional onde eu aprendi a conter alguns medos e ansiedades.  Aos 18 anos tive uma forte crise de falta de ar, mas não fui ao médico, porque eu me achava uma fraca e uma inútil. Depois com o tempo foi aumentando, então fui ao médico e o diagnostico foi: "é só depressão". As crises começaram a aumentar e pioravam cada vez mais. Meus braços ficavam dormentes, minhas pernas não mexiam e minha face ficava completamente paralisada. Aos 20 anos tive uma crise terrível no meu trabalho, não conseguia respirar e não mexia um músculo do corpo. Entrei em PÂNICO!!! Meu patrão me levou carregada para o hospital. Tive que entrar de cadeira de rodas. A maior vergonha da minha vida. Os médicos falaram que eu não tinha nada. A partir dai resolvi fazer exames, nunca deu resultado de doença alguma, tudo normal. Por que? Eu sempre me perguntava. Será que sou louca? Tomei vários remédios que me causavam mais depressão do que eu já tinha, aumentavam meus hormônios e me dava sonolência. Fiquei completamente dependente deles. Um dia dei um basta e resolvi parar com os exames e remédios, mas as crises só pioravam. Nunca consegui entender o que eu tinha e acho que nem os médicos porque nunca fui a um psiquiatra.


Sou uma pessoa insegura, deprimida, choro sem saber o motivo, tenho medo de elevadores e tubarões, mas não tenho medo de morrer. Sinto enormes calafrios e dores no peito. Tenho dores de cabeça todos os dias. Tenho tonteiras, fraquezas. As vezes acho que sou incapaz de fazer alguma coisa. Desmaios constantes e uma enorme preguiça.

 

Ainda tenho medo de encontrar pessoas novas e me relacionar, mas a segurança perante a isso melhorou muito depois de alguns cursos e muitas leituras. Sou extremamente ansiosa e sofro antes da hora. Minha vida não tem sido fácil... Tenho muita sorte de poder contar com a ajuda de um dos meus patrões, que sempre me ajudou nos momentos ruins e me deu força para não desanimar. Minha família achava que era apenas uma crise passageira, mas com o tempo viram que era sério e ficaram do meu lado.


Hoje, cinco messes depois de largar todos os medicamentos por conta própria, estou bem e ainda não tive crises muito fortes. Quando sinto que vou começar a entrar nesse "buraco", eu respiro fundo e conto até dez.


O último diagnóstico do médico: "você tem problemas de fundo emocional e não pode se irritar com facilidade, tem que tomar sempre um remédio"


Quero agradecê-lo por criar esse site e por ajudar pessoas iguais a mim. Quero manter contato e entrar para um grupo de auto-ajuda.


Ajude-me por favor! Tenho pavor do medo! Tenho medo da solidão! Tenho a solidão dentro de mim! Tenho o TP na minha vida...

 

Mais uma vez obrigado por me ajudar a me descobrir.

 

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16 . Bancária, 34 anos. Minha primeira experiência foi aos 23 anos.  Tinha acabado de sair da igreja, onde fui marcar a data do casamento.  Na volta para casa, simplesmente parei de respirar. Minha garganta fechou e eu atravessei o túnel Rebouças com a mão na buzina (meu noivo estava ao meu lado, de carona).  Quando cheguei em casa, sem nem estacionar o carro, me joguei na cama e minha mãe chamou um médico amigo da família. Disse-me que eu tinha tido um edema de glote e me aplicou adrenalina na veia.  A partir desse dia minha vida mudou.  Passei a ter medo de sair sozinha. Fui a diversos médicos a fim de diagnosticar o meu mal, mas nunca soube o que era. Passei a andar com remédio injetável na bolsa para, em crise, pedir para me aplicarem (o que cheguei a fazer dentro de um ônibus, num engarrafamento).  Na época eu trabalhava bem longe de casa e a ansiedade da volta, tendo que fazer baldeação, me deixava ansiosa.  Eu tinha pavor de morrer.  Eu não conseguia mais andar sozinha, mas tinha de fazê-lo, afinal de contas,  o que eu achava que sentia, era"frescura".

 

Minha pior crise aconteceu numa dessas voltas para casa. Tinha descido do primeiro ônibus e o segundo não chegava. Comecei a ficar ansiosa e antes que a crise viesse, resolvi pegar um táxi.  Entrei no táxi e alguns metros depois ficamos parados no meio de um engarrafamento sem saída.  A essa altura eu já estava em pânico, pedindo ao motorista que fizesse alguma coisa, pois eu estava passando muito mal.  Como ele nada podia fazer para me ajudar, comecei a olhar para os lados, até que vi uma moto passando bem pertinho do táxi, e devagar.  Abri a porta correndo, pulei na garupa da moto e pedi (?) para ele me levar em casa porque estava morrendo.  Não sei como cheguei em casa, não sei quem me trouxe e nunca agradeci. Na porta de casa, uma vizinha me levou até a minha casa e só quando estava na segurança do meu lar, com minha mãe é que consegui sair da crise.


Só quem já teve uma crise assim sabe do que somos capazes.  A sensação da morte nos faz perder qualquer timidez. Perdemos o senso do ridículo.


Passei uma fase braba e até para lua de mel estava com medo de ir e não ter médico por perto.  Tive outras crises, mas fui aprendendo a me comportar e me convencer que era tudo imaginação minha.


Hoje tenho certeza de que o que tive foi Síndrome do Pânico, apesar de nunca ter sido diagnosticada como tal. Aprendi a conviver com as crises. Tenho dois filhos e só depois do nascimento do primeiro é que as crises diminuíram.  Agora, quando ela começa, eu já conheço.  Vou para o meu quarto, deito para relaxar e se dormir, agradeço a Deus, pois sei que quando acordar não terei mais nenhum sintoma.


Fiz muita terapia para perder o medo, mas não perdi, só tento controlá-lo e até hoje tem vezes que não consigo...


Você não sabe como foi bom conhecer pessoas que passaram pelo que já passei.  Teve horas em que pensei que eu estava maluca.

 

Parabéns pela sua página.  Você está ajudando muitas pessoas. Obrigada!

 

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17 - Técnico em eletrônica, 35 anos. Em primeiro lugar gostaria de parabenizá-lo pelo site, pela quantidade de informações tão importantes contidas nele e pelo assunto tão complicado de lidar com ele, como o TP. Graças ao nosso bondoso DEUS, ele na sua imensa sabedoria, ilumina pessoas como você para servir de apoio para nós, que tanto sofremos  com este mal. Tenho TP desde 1995. Julgava estar com minhas crises sob controle até dois meses atrás, quando voltei a ter "recaídas". Contarei tudo desde o inicio.


Sempre fui uma pessoa muito agitada, talvez por crescer sob muita  pressão por parte de meu pai e das coisas que me cercavam. Sempre fui uma pessoa medrosa, insegura, mas não imaginava ficar tão medroso quanto agora.

 

Tudo começou em março de 1995. Estava passando por uma fase financeira difícil, muito apreensivo. Foi numa festa de aniversário da empresa para a qual trabalho que tudo começou. Bebi muito neste dia, além do comum para quem não estava acostumado à festa. Estava bom, deixei rolar. Não me sentia muito tonto ao ir embora, mas devia estar, pois minha esposa nem sequer me deixou levar o carro. Tudo ia bem, parecia um simples porrezinho. Mais tarde comecei a sentir uma falta de ar estranha, comecei a ficar nervoso. A coisa foi piorando e foi como se o chão saísse dos meus pés. Pensei que fosse morrer ali mesmo. Corri para a casa do meu sogro que morava perto e, com ajuda de um calmante, consegui passar o resto da noite.  No outro dia, amanheci melhor, mas nos dias seguintes, a simples lembrança do fato ocorrido fazia tudo voltar de novo.

 

Fui a todos os médicos imagináveis. Fiz exames de todos os tipos. Todos diziam a mesma coisa - deve ser uma crise de ansiedade. Fiquei desesperado, para quem era tão saudável. Até então, não compreendia o que estava acontecendo comigo. Como você menciona no seu comentário, só quem já passou por isso sabe o que passei.

 

Com muito custo, resolvi procurar um psicólogo, que falou que eu deveria procurar um psiquiatra. Relutei muito, mas a situação desesperadora em que me encontrava, não me dava opções. Fui "diagnosticado como portador da  "Síndrome do Pânico". Tomei uma série de medicamentos que me deprimiam muito e me deixavam angustiado. Se não fosse por uma coisa que temos em comum, uma esposa maravilhosa, não sei o que teria sido de mim. Ela era como um porto seguro, somente ao seu lado eu me sentia tranqüilo.

 

Troquei de medicamentos umas dez vezes. Foram dois anos de tormento. Depois, comecei a me sentir melhor, a perder o medo de sair sozinho e abandonei o tratamento. Fiquei uns seis meses razoavelmente bem, até que minha irmã sofreu um acidente de carro horrível.  Ia visitá-los no hospital, parei no sinal vermelho e um ônibus destruiu a traseira do meu carro. Meu cunhado faleceu e voltei a estaca zero. O medo voltou dobrado.

 

Nesta época, há 2 anos atrás, tinha nascido o meu outro tesouro, o meu filho. Fiquei péssimo! O medo de me acontecer algo e deixar desamparado o meu filho, me alucinava. Voltei a um outro psiquiatra que me tratou com antidepressivo, cujo resultado foi muito melhor.Não sei se por já ter aprendido algo com a TP ou se pelo remédio, me sentia muito melhor. Mais dois anos de tratamento, eu já estava 90% bem e achei que estava curado.

 

A conselho médico, parei de tomar o remédio há seis meses atrás. Estava levando uma vida quase normal. Digo quase, porque nunca mais se é o mesmo. Um resquício de insegurança sempre ficou, mas conseguia conviver bem com ele. Como trabalho com manutenção de equipamentos médicos, às vezes viajo muito e há um mês atrás, precisei viajar para Ituiutaba, há 600km de Belo Horizonte. A simples distancia já me incomodava um pouco. Lá, depois de ficar muito tempo só esperando a hora de voltar, vieram umas bobagens em minha mente e desde então, sinto chispasses de crises. Não são muito fortes, consigo controlar, mas fiquei inseguro para viajar de novo, com medo que as crises voltem a acontecer. Se me conheço, apesar de já ter aprendido conviver mais com o TP, daqui a pouco estarei novamente tomando medicamento.

 

Gostaria que o amigo me falasse  mais sobre o seu grupo de apoio e o que sugeriria para mim. Gostaria de maiores informações, qualquer uma que possa vir me ajudar neste momento.  Desde já agradeço. Gostaria de receber breves notícias suas.

 

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18 - Universitário, 21 anos. Olá amigo! Parabéns pela tremenda experiência de melhora! Parabéns pelo site! Espero em breve seu livro.


Tenho uma experiência com o pânico. Apesar de não ter sido tão  tremenda como a de muitos, foi muito horrível. Também resolvi relatar.


Tudo começou quando comecei a usar drogas há alguns anos,  mais precisamente seis anos atrás. Agora estou com 21 e não uso droga alguma. Bom, resumindo:  a primeira crise foi desencadeada ao usar a tão conhecida maconha. Primeiro veio uma confusão mental e logo o pânico começou a invadir meu ser. Eu não acreditava no que estava acontecendo. Tudo mudou. Toda realidade se alterou. Tudo o que eu tinha como verdade se transformou. Parecia que só eu tinha "aquilo". As pessoas que fumaram comigo, pareciam não ter aquilo. Era como se ninguém pudesse compreender o que eu estava tendo, como se ninguém tivesse o que eu estava tendo.Tudo ficou muito confuso. Milhares de sons dentro da minha cabeça. Parecia um furação dentro da minha cabeça. Deus, amizade, amor... Tudo deixou de fazer sentido. O pensamento racional fugiu de mim. Não havia jeito de pensar normalmente. Apesar de acreditar muito em Deus, parecia o inferno. A palavra que escolhi para designar tal sensação foi  "CAOS". O pavor era tanto, que foi uma sensação de gelar até os ossos! Parecia que estava perdido numa eternidade de sofrimento, numa dimensão de puro caos, sem sentido algum. Também tive um pouco de taquicardia e pressão baixa, já que fiquei todo gelado.Tive que ir para casa tentando me controlar, com medo de perder o controle e enlouquecer ou me despersonalizar! Isso tudo durou quase uma hora. Tive que dormir para passar tudo aquilo  e, até conseguir dormir, foi difícil.

 

Agora que estou lhe relatando isso, estou com as mãos geladas e me sentindo um pouco mal, só de lembrar dessa sensação. No outro dia, acordei normal e muito feliz por tudo aquilo ter passado. Parecia mais um pesadelo do que a realidade. Parecia que fora só um sonho ruim.

 

Um tempo mais tarde, levado pelos amigos, novamente usei essa droga e, momentos depois, lá estava eu de novo, tendo tudo aquilo novamente! Que horror! Não acreditei que tudo estava acontecendo novamente! Dessa vez fumei pouco e não foi tão terrível, apesar  de sempre ser terrível. Tudo parecia um filme, um sonho acordado, um sonho seguido de sensações horríveis, de algo monstruosamente ruim! Dessa vez era de tarde e não consegui dormir! Quando passou o pavor, ficou uma sensação de distância, parecia que eu continuava dopado, parecia estar num filme! Essa sensação, por mais incrível que pareça, continuou comigo. Eu não conseguia voltar ao "normal". Isso ficou por um mês, até eu voltar das férias e retomar a rotina do ano.

 

Me preocupei com minha ex-namorada, pois estávamos acabando o relacionamento. Isso me fez  esquecer tudo aquilo e voltar ao "normal". Novamente, tudo pareceu ter sido um sonho ruim, e as sensações que senti não foram tão terríveis. Mas adivinha! De novo usei a droga! E novamente lá estava eu... Dessa vez com uma terrível taquicardia. Prometi que, se tudo "aquilo" não passasse quando acordasse, eu me mataria, pois era tudo tão terrível! Depois que dormi e acordei, o pavor havia passado, mas continuava um pouco abalado, tonto e me sentindo um pouco distante, como num filme.

 

Durante o dia, às vezes chego a ter um início de pânico, principalmente se começo a ter receio acerca daquela sensação, mas nunca é tão forte como quando usei a droga. Hoje, adquiri algumas fobias, como em contatos sociais. Também parece que, tudo o que era simples, como a realidade e o mundo, adquiriram um teor complexo. Parece que o que era simples, agora ficou difícil, agora causa um receio. Fiquei muito mais quieto no meu canto, conformado. Não tenho mais tanta energia. Acho que quem passa por essa situação, nunca mais volta ser a mesma pessoa. Não digo que fique mal a vida inteira, mas que mude para melhor. Estou lutando contra tudo isso e acredito no futuro!


Esse foi mais um desabafo com alguém que acho que pode me entender! Poucas pessoas conhecem isso que passei e passo, como minha família e meu psiquiatra. Talvez você entenda, espero que sim. Uma coisa é imaginar o que é isso tudo, outra é passar na carne. Entre os relatos que encontrei na sua página e em páginas sobre pânico, pela primeira vez na minha vida, descobri que existem pessoas  que sentiram o que eu senti. Foi um grande alívio, pois até uns dias atrás, achava que só eu, no mundo inteiro, tinha aquilo. Sei que isso não é nada racional, mas é o que parecia. Desculpe se escrevi muito, mas eu precisava compartilhar isso!


Quero que fique muito à vontade para escrever para mim. Espero sua opinião sobre isso tudo. Acredito que me aliviarei ainda mais ao ler suas palavras!

Aguardo ansiosamente seu contato!

 

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19 - Coordenadora de telemarketing, 29 anos. Tive minha 1ª crise aos vinte anos, dentro de um cinema. Senti uma coisa estranha e achei que iria morrer.  Fiquei com os sintomas mais ou menos uns 2 meses, então melhorei.


Em 1993, nasceu meu filho. No dia em que tive alta do hospital, tive uma crise de pânico ainda no quarto. Daí, começou todo o meu sofrimento. Tive crises atrás de crises. Tinha medo de ir ao médico, tomar remédio e morrer. Quando estava na fila do supermercado e a crise surgia, largava tudo e ia embora. À noite, acordava apavorada e fazia meu marido pegar meu filho para colocá-lo em minha cama, para eu me acalmasse. As crises  foram se tornando insustentáveis e nem na minha casa, que era meu refugio, eu não conseguia ficar. Não podia ir o até o portão.  Não conseguia sair de casa. Tinha muita palpitação, taquicardia, tontura e uma falta de ar absurda. Comprei um livro sobre "Síndrome do pânico". Tudo que passava no rádio ou tv sobre o assunto eu gravava. Liguei diversas vezes ao C.V.V. , principalmente a noite. Fiquei sabendo de um neurologista que tratava de pessoas com esses distúrbios. Era a minha última alternativa, já não agüentava mais. Marquei uma consulta e ele me receitou um antidepressivo e tarefas diárias. Eu tinha um caderninho onde anotava tudo o que eu fazia e com  horários. Para que eu tomasse o remédio, o médico quase veio à minha casa. A 1ª tarefa foi atravessar a rua da minha casa sozinha. Foi um dilema. Cada dia eu tinha uma tarefa . Todas as sextas- feiras eu fazia terapia com esse médico, apresentava as tarefas e recebia mais para a semana. Quando saí com meu filho sozinha pela 1ª vez, ele disse: mãe, nós vamos sair sozinhos? Até chorei. Meu marido ficava nervoso comigo e perdia a paciência. Então fui melhorando e o médico achou melhor eu voltar a trabalhar. Voltei com a graça de Deus e estou na empresa até hoje. Estava querendo engravidar, só que eu tinha medo que me desse alguma crise, pois abandonei o tratamento. Apesar de estar me sentindo bem, por quase um ano não li a bula do remédio. Quando resolvi, vi  que poderia provocar convulsões. Não quis tomá-lo mais. Fiquei grávida e não tive nenhuma crise. A minha médica foi super bacana comigo. Eu tinha medo de morrer no parto e deixar as crianças. Ela me animava bastante e sempre tinha uma resposta otimista. Estava realizada. Hoje tenho o prazer em curtir meus filhos, coisas que tempos atrás não o fazia. Estou sem o medicamento. Tenho que ficar  supervisionando meus pensamentos.

Se meu depoimento ajudar alguém, ficarei feliz. Um abraço.

 

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20 - Auxiliar Administrativo (fem), 25 anos. Através de minhas amigas e colegas de trabalho, acessei sua página na Internet para buscar a ajuda de que preciso. Descobri há pouco tempo, que meu "estresse" - assim era o que me diziam - se transformou em sensações que até então já havia sentido, mas não com muita intensidade.Tudo começou numa segunda feira à noite, enquanto calmamente lia o jornal, acompanhada de meus pais que assistiam televisão. De repente, uma sensação horrenda tomou conta de mim. Minha garganta trancou, meu peito parecia que ia estourar e meu coração - nossa!!! - disparou de uma maneira como nunca havia acontecido. O medo de morrer tomou conta de mim. Só conseguia pensar como a vida é boa, como deixaria meus pais e meu namorado que tanto amo.... E aquela sensação se tornava cada vez mais apavorante e ao mesmo tempo, queria me controlar para não assustar meus pais mais uma vez. Achei que dessa vez, como tantas outras, iria conseguir me controlar e mostrar para meus pais que sou forte e iria conseguir. Em vão! A coisa tomou uma proporção tão grande que meus pais me pegaram e me levaram ao pronto atendimento de minha cidade. Durante o trajeto até lá, coisa de nem 5 minutos, o que pareceu uma eternidade, só conseguia pensar em coisas ruins e que tinha muito, mas muito medo de morrer. Lá fui prontamente atendida e veio uma crise muito forte de choro, onde comecei a me sentir mais aliviada, mas a sensação de medo, pavor continuava. Queria ver meu namorado, que um pouco antes de minha crise, estava em casa comigo onde tudo parecia normal. Clinicamente não foi constatado nada, estava 100%, não fosse meu lado psicológico totalmente abalado. Tomei um calmante, muito forte por sinal, que foi me derrubando aos poucos, até que a sensação horrenda sumiu.


Minha médica, muito carinhosamente, conversou comigo e me aconselhou a procurar um psiquiatra, onde com auxílio e alguns remédios, poderia controlar essas "crises". No momento fiquei chocada, a palavra psiquiatra soou muito forte para mim, me achei uma louca. Após  tudo isso, já em casa, comecei  sentir muita vergonha do que tinha acontecido, do que as pessoas poderiam pensar.... Queria provar que não era louca e que não sabia explicar o que acontecia. Sinto muito medo de coisas normais: andar de carro (principalmente quando não sou eu que estou dirigindo), sair na rua e pensar que posso ser atropelada. Sonho com acidentes horríveis, e principalmente morte. Tenho pavor e medo quando meu namorado sai para viajar, e por incrível que pareça, ele vive viajando, vive na estrada. Agora sei que não sou louca, mas tenho muita vergonha do que os outros possam pensar. Talvez o que estou sentindo agora seja fruto de períodos muito difíceis da minha vida. Era noiva de um rapaz há 08 anos, e infelizmente, ele era usuário de drogas. O meu sofrimento durante todos esses anos me marcou muito. Sei que agüentei por que quis, mas não conseguia me libertar em função de suas ameaças, o que me provocava muito medo, principalmente por que sabia como ele era. Apanhei muito e fui maltratada várias vezes. Fui ao último grau de humilhação que uma pessoa possa atingir. Agüentava calada, pois meu medo era maior que minha coragem para me libertar. Até que um certo dia, ele conseguiu acabar com sua vida e me causar o último grande trauma em minha vida: matou-se dentro de minha própria casa com um tiro na cabeça, disparado de uma arma de propriedade de meu pai e, para agravar ainda mais a situação, quem o encontrou morto fui eu. Sei que, ao mesmo tempo em que o susto e o trauma foram grandes, comecei a viver uma nova etapa de minha vida, consegui encontrar a felicidade, ver como a vida é bela e bonita, encontrei uma pessoa realmente maravilhosa para mim, meu atual namorado. Talvez seja por isso  que está sendo um pouco difícil para mim, aceitar essas sensações novas e incomodas, que vem surgindo na minha vida. Quero um auxílio, uma palavra de conforto. Sei que tenho forças, para mais uma vez, superar tudo o que está acontecendo comigo. Aguardo seu contato.

 

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21 - Comerciante, 27 anos. Caro Fernando, antes de tudo, gostaria de parabenizá-lo por esta home page e pela sua iniciativa de se ajudar e ajudar os outros.  Exatamente, há 45 dias atrás, comecei a sentir esses sintomas que você descreve na sua página. Estava sentado no sofá na casa de uns amigos, conversando, quando de repente, comecei a sentir uma taquicardia e dor no peito. A vista oscilava, ora  escurecendo ora clareando. Suava muito e só queria saber de ir para o pronto-socorro.  Chegando lá, minha pressão arterial estava 19 x11. Medicaram-me e fiquei lá umas duas horas e voltei para casa, mas com sensações estranhas no estômago, com gases e empanzinado. Deitei-me e quando achava que ia adormecer, sentia uns sobressaltos. Tomei 2 ansiolíticos e mesmo assim, só consegui dormir quase pela manhã.  Passei assim alguns dias, um pouco confuso e com medo do que pudesse me acontecer. Isso ocorreu de sexta para sábado. Na segunda-feira, fui ao cardiologista e ele de cara disse-me que eu estava estressado, mesmo assim, fizemos uma bateria de exames e nada, tudo jóia.  Crise mesmo da pressão subir, ter taquicardias, só tive três vezes, mas sempre tenho sintomas esquisitos: tonteira, vista embaçada, dores nas costas, impressão que a garganta vai fechar, dormência no corpo e pés gelados. Algumas vezes, me dá uma angústia, fico desesperado para sair de algum lugar que eu esteja no momento e, assim que eu saio, melhoro.  Agora, graças a Deus, não tenho os sintomas do medo de sair de casa, de ir para certos lugares, entende?  Fico só um pouco deprimido por querer entender, porque eu, com 27 anos, ter que passar por tudo isso. Fico um pouco revoltado. Ainda não tenho a certeza se estou ou não com TP. O médico já me aconselhou uma psicóloga, disse que preciso conversar. No momento estou tomando um ansiolítico, já faz  uma semana, mas cada dia tem um sintoma diferente, e isso me incomoda muito. Pela sua experiência, mesmo sem eu estar com medo de sair de casa ou ir a certos lugares, você acha que eu possa estar com TP?  Desculpe estar te alugando, mas um amigo meu me enviou um e-mail com o endereço da sua home page. Eu li e fiquei muito feliz por saber que talvez estivesse descobrindo a doença, por isso resolvi escrever-te. Um grande abraço e muito obrigado por tudo. Por favor, responda-me.

 

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22 - Engenheira, 27 anos. Tive Síndrome do Pânico por cinco anos, do início de 1992 ao fim de 1996. Descobri que mudou de nome, agora é Transtorno do pânico. Desde então, não tive mais crises, sei como domar a fera. Acredito que nunca mais terei problemas, entendi como essa tal de TP funciona, pelo menos em mim. Não vou lhe contar as estórias das minhas crises, porque tudo aconteceu como basicamente acontece com todos nós.


O TP foi uma escola e acredite, foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida - não, não pense que sou louca, não tomei antidepressivo demais, - o TP me ensinou muito coisa e hoje sou muito mais feliz do que seria se não a tivesse conhecido.


Depois que me livrei dos sintomas do terror - é como eu chamava algumas das minhas crises - e você sabe tão bem quanto eu que as crises variam conforme a situação, através do tempo e pela intensidade. Quando eu tinha as crises, queria conhecer pessoas com TP para dividir a dor. Desde que me livrei do TP, procuro pessoas para que elas dividam a dor comigo. Há três anos sinto uma vontade, uma necessidade até de ajudar pessoas que estão passando pelo que passei. Tenho certeza que você sabe do que eu estou falando, pois acredito que sinta o mesmo. Mas quem tem TP, raramente se abre por medo de preconceito ou de não  ser entendida. Como os outros vão descobrir que eu quero ajudar? Cada dia que passa, quero mais e mais ajudar outras pessoas. Esta manhã me deu uma luz - CLARO! A  INTERNET! Caí no seu maravilhoso site PARABÉNS! Quem me dera esse site existisse há  oito anos atrás... O que mais me impressionou foi o seu sofrimento! E a quase operação no coração!  Quando minhas crises começaram, já se falava em Síndrome do Pânico, e mesmo assim foi terrível. Imagino quando você tinha 14 anos e ninguém sabia que isto existia!


Bem, agora gostaria de falar-lhe sobre algumas de minhas teorias - não as tenho como verdade absoluta, mas gostaria que pensasse sobre elas, sem preconceitos e paradigmas.


1 - Que eu saiba, não existe nada comprovado se a causa da TP é física ou psíquica. Seu site a cita como física.  Há quem defenda que, a grande maioria das doenças tem as duas partes conectadas, ou seja, o psíquico não está legal e trás uma doença física num órgão em que a pessoa já tenha uma predisposição que pode ser genética ou não. O físico adoece e o psíquico piora, ou seja, fica mais deprimido, ou ansioso, etc. Os dois vão piorando cada vez mais num círculo vicioso.

 

Todos nós passamos por terapia e remédios. Você se "curou com relaxamento - não estou considerando relaxamento como terapia. Terapia pra mim, é você e um médico sentados numa sala onde cada minuto vale $. Então, será que longos anos de terapia e um certo rombo na conta bancaria seriam a solução? Acho o preço absurdo que a maioria dos psiquiatras cobram pelas consultas semanais, chega a ser antiético!

 

2 - Não sou contra médicos e psiquiatras, muito pelo contrario, existem excelentes profissionais. Ninguém sabe tudo, principalmente quando se fala em TP, onde ninguém sabe nada. Não se sabe a causa, não se sabe a cura, só se sabe o conjunto de sintomas e que alguns remédios ajudam depois de muita tentativa e erro. Existe um paradigma de que terapia tem que ser longa. QUEM DISSE? Se estou com dor de dente, vou no dentista ele conserta, eu pago e fim. Quebrou a perna? Vou ao Pronto-Socorro , o médico engessa, espero um tempo, tiro o gesso, volto lá para ver se curou mesmo, pago e fim. O objetivo do medico é me curar e fim.  Que estória é essa que eu tenho que ficar indo ao psiquiatra por sei lá quantos anos? Se o tratamento não tem fim é porque não cura. Um dia meu pai me mandou num psiquiatra conceituado no Rio e logo na primeira consulta me disse na lata: se todo paciente fosse igual a você, os psiquiatras morreriam de fome. Vários psiquiatras e psicólogos me cozinhariam em banho-maria por alguns anos.

 

3 - "crises repentinas sem causa aparente" - depois de pensar e pensar, vi tudo muito claro: TODAS, exatamente todas, sem exceção de nenhuma das minhas crises tinham uma causa. Em todas elas eu estava passando ou ia passar por uma situação que me contrariava, ou me dava algum desconforto, ou me pressionavam. Só que eram coisas que eu considerava que não oferecem desconforto, mas que no fundo, eu não estava nem um pouco "afim" de passar por aquilo. Às vezes, eu tinha crises porque na outra semana eu teria que visitar uma tia que eu detestava, mas nem imaginava que isso poderia trazer uma crise.


4 - A crise surge porque eu me vejo em perigo e quero me defender ou fugir deste perigo, certo? Então pensei, se eu mesma faço que as crises aconteçam em mim, então não possa vê-las como inimigas, mas sim como uma ferramenta que eu mesma uso para me ajudar. O TP não é uma inimiga a ser combatida e sim uma aliada. Foi a partir do momento que tudo se resolveu. Parei de lutar contra e sim APRENDER A CONVIVER com essa ferramenta que meu corpo  me deu, para me ajudar a viver melhor. Aprendi a sentir quando uma crise estava chegando e a conversar comigo mesma. Por que vou ter essa crise? Eu descobria a causa da crise, ou seja, a situação desagradável que eu estava querendo fugir e eliminava a situação desagradável. Não tinha crise e, como conseqüência, fui eliminando as coisas desagradáveis, desconfortantes  e preocupantes de minha vida. Além de acabar com as crises, aprendi a viver muito melhor!


Não sei se consegui explicar direito o que eu penso. Também não tenho a pretensão de achar que o que funcionou para mim, irá funcionar para todo mundo, mas acho que pode ajudar muita gente. Temos que tomar muito cuidado com o que falam por aí. Cansei de ver médicos arrogantes, principalmente em programas de televisão, falando besteiras sem nenhum embasamento no que dizem. Também já vi muitos médicos bons.


Desculpe por um depoimento  tão longo. Quero muito ajudar e acho que as pessoas que já passaram por isso, são as mais indicadas para ajudar quem esta sofrendo.

 

Gostaria muito de discutir sobre TP com você e outros que também se interessam pelo assunto. E principalmente, QUERO AJUDAR quem está sofrendo.

Aguardo ansiosamente sua resposta,  com uma ansiedade sadia e sem crises.

 

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23 – Informática – 27 anos. Tudo começou com uma aparente dor de estomago. Ficava o dia todo como se minha barriga ficasse contraída o tempo todo. Dias depois, após almoçar em um restaurante, minha garganta simplesmente "fechou", não conseguia engolir e nem respirar, fiquei pálido com o coração a mil por hora. Fui levado para o pronto socorro, aonde recebi a informação que eu não tinha nada, apenas uma pequena inflamação na garganta.


Procurei um otorrinolaringologista, e fiz alguns exames, aonde foi constatado que eu estava com uma esofagite forte, resultado de "refluxos" gástricos. Procurei então um gastro. Tomei milhões de remédios e a garganta continuava fechando e as dores abdominais me incomodavam muito.


Bom, a partir desse ponto comecei a apresentar outros muitos sintomas, como dores de cabeça, irritação, medo de morrer, falta de ar, acordava assustado durante as noites, dores nas costas muito fortes, entre outras coisas. Procurei uma segunda opinião médica, aonde foi me dito que eu havia tido uma crise do pânico. Ao ouvir aquilo não dei muita importância e ainda brinquei "Imagina só, é o que me faltava".


Com o tempo percebi que poderia realmente estar sofrendo de TP, pois os sintomas eram freqüentes. Comecei a pesquisar na Internet e ler um pouco mais sobre casos como o meu, foi então que me dei conta de quanto isso é sério. Foi difícil até admitir que realmente precisaria de ajuda de um psiquiatra. Ainda não fiz nenhum tipo de tratamento, continuo com os sintomas e cada vez mais forte. Tento controlar e procuro não deixar isso tomar conta da minha vida, o que está cada vez mais difícil. Não consigo ter uma vida normal, não consigo me desligar do trabalho e ultimamente me apresento muito ansioso. Estou a cada dia que passa mais irritado, tudo me incomoda, às vezes chego a discutir com os familiares, noiva e amigos, sem motivo algum. Acredito que a maior dificuldade que encontro é o apoio de outras pessoas, quando falo para os familiares mais próximos que estou novamente com aquelas dores e a garganta fechando, todos olham como se eu quisesse chamar atenção, não dão muita importância. Tento explicar o quanto é horrível para eu passar por essas crises,se é que posso chamar assim.


Minha noiva tem sido uma pessoa muito importante, não para que me cure, mais sim por ser paciente e entender o que sinto. Não desejo isso nem para meu pior inimigo, as dores que sinto são suportáveis, talvez o que não possa suportar é a sensação de abandono.


Tento levar uma vida normal, apesar do desconforto físico e dos muitos sintomas, tento me distrair com atividades diversas, mais na maioria das vezes não consigo. Tenho ficado muito em casa, não gosto muito de sair, na verdade tenho medo de que algo aconteça.


Não procurei ajuda medica especializada ainda, tenho receio de ter de tomar uma serie de medicamentos para controlar a TP, tenho medo de ficar dependente dos medicamentos e não levar uma vida normal, porém a cada dia que passa vejo que não tenho muita escolha.


Gostaria de finalizar esse depoimento, agradecendo a oportunidade de relatar o meu caso, e melhor de tudo de poder compartilhar com pessoas que sofrem a mesma coisa. Fiquem com Deus e espero que todos nós um dia possamos olhar para traz e dizer: "Finalmente estou curado".

 

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24 – Professora de Inglês, 22 anos. Oi!! Sempre fui uma pessoa muito tímida, fechada, tensa e ansiosa. Um dia à noite, estava dando uma volta de carro com uma amiga e de repente me senti muito mal. Era uma coisa estranhíssima! Eu pensei que minha pressão tinha caído porque comecei a suar frio e sentir enjôo. Isso aconteceu em 98. Um ano depois, fui a um seminário de autoconhecimento e fiquei muito triste com a situação de algumas pessoas que falavam sobre suas vidas e chorei muito. Nesse dia, senti a mesma coisa que havia sentido um ano atrás. Tive a sensação de desmaio. Pensei que estava doente, com hipoglicemia. Depois disso, como sempre fui preocupada com minha saúde (acho até que sou hipocondríaca) ficava com medo de sentir isso novamente. Comecei a sentir medos estranhos e sensações de desmaios. Mas nunca deixei de sair ou de fazer algo, porque sabia e pensava que era psicológico e que podia controlar. Demorei um ano para procurar um psiquiatra. Conseqüência: tive forte depressão e ainda sinto angústia de vez em quando, tenho despersonalização- que é simplesmente tão horrível quanto uma crise de pânico!!

 

Quando tenho que viajar, sinto muito medo, parece que o mundo não é real... Estou fazendo terapia há um mês, mas não tenho coragem de tomar o antidepressivo receitado. Tomei uma caixinha, mas quando o médico aumentou a dose, não tive coragem de tomar, sinto muito medo de ficar louca e de que o remédio me dê algum surto psicótico!  Procuro ajuda!!! Isso parece não ter fim, parece que estou presa num pesadelo...Toda vez que saio de casa, converso comigo mesma : não vai acontecer nada, Deus está comigo. por que vou passar mal ? nada de mal vai acontecer, estou protegida pela divindade! Isso me acalma muito.

 

Gostaria de saber se o TP pode desencadear um quadro de loucura.

Muito obrigada pela atenção e pelo site.   SORTE A TODOS.

 

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25 - Estudante de Administração de Empresas, 23 anos. Acredito que também tenho Síndrome do Pânico. O que mais me dá medo é não encontrar respostas para minhas dúvidas. Durante muitos anos eu precisava de alguém para me dizer que nada ia me acontecer. Eu tinha falta de ar, minhas mãos suam, tenho dúvidas sobre minha personalidade e etc. Como você diz, tenho medo de ter medo. Muitas das desgraças que vejo, pego para mim achando que podem acontecer comigo. Minha primeira crise me levou ao hospital com uma falta de ar enorme. Mas meu medo mesmo começou quando fumei maconha. De certa forma, a droga despertou em mim coisas que nunca me atormentaram. Neste dia meu coração disparou e tive um grande medo de morrer. Logo depois, só de sentir o cheiro da droga ficava com medo.

 

Não concordo que o TP não seja um problema psíquico. Sempre fui muito neurótico e estressado, eu era daqueles meninos que não gostava de me expor por sentir vergonha. Minha convivência com minha família sempre foi difícil apesar de todo amor. Isto de certo modo me deixou vulnerável e sem entender o mundo. Já tomei antidepressivos, ansiolíticos e fiz 6 anos de terapia. Hoje eu aprendi que a única solução para parar as minhas crises é ter coragem para viver. Minha vida se resumia a minhas pre-ocupações, ou seja antes das coisas acontecerem eu já dava muita atenção a elas e na hora H não aconteciam ou não eram tão grandes assim. O espaço que elas ocupavam, muitas vezes não eram proporcionais a sua importância. E acontecia o contrário também, eu dava pouco importância a certas coisas (muitas vezes por já estar estressado com minhas "grandes imaginações") que podiam ter maior impacto sobre mim.

 

Hoje vivo bem melhor, principalmente porque não tenho mais medo de enfrentar a vida e deixar as coisas acontecerem. O aprendizado da vida é a melhor cura. Sei que tudo é um tormento mental, e sabendo disso sei que não tenho problema de saúde e que posso fazer qualquer coisa. Como você, na hora que começo sentir as crises, paro e me controlo. O segredo não é tentar se convencer que aquela crise não tem sentido, porque uma hora este sentido pode se perder, uma vez que pessoas como eu vivem dando diferentes sentidos às coisas, principalmente deixando-as agirem sobre nós de forma agressiva e maléfica. O que penso nessas horas é que meu tormento passará, porque a vida me ensinará que não há motivo para eu ficar deste jeito. A cura passa inicialmente por um desejo muito grande de viver, de não aceitar que a "crise o tenha", e sim que você "tem a crise". Eu sei que vai haver horas que não teremos respostas para o que sentimos, mas quem não tem problemas... O que eu acho é que as pessoas que não possuem a TP, simplesmente conseguem viver melhor com suas dúvidas, sem serem tão ansiosas em achar respostas para tudo e tentar resolver tudo naquela hora. Quanto mais tento encontrar explicações para o meu medo, mais angústia eu tenho e, conseqüentemente, mais ansioso e com mais medo eu fico.

 

Não sei se me entendeu direito, mas eu acredito que a cura passa pelo simples fato de conseguir viver melhor com suas dúvidas, sem deixa-las te prenderem dentro de casa.

 

Seu texto me emocionou, principalmente ao ler os depoimentos. Acho que quando encontramos semelhanças nas outras pessoas, sabemos que é possível viver. Um abraço.

 

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26 – Funcionária Pública Federal, 54 anos. Sou casada há 28 anos e tenho 3 filhos homens.  Encontrei sua página navegando na Internet à procura de outra coisa. Tenho ou tive Transtorno do Pânico. Tive a primeira crise com 22 ou 23 anos. Estava atravessando a rua quando senti uma tonteira seguida de um medo irracional, não sei como cheguei do outro lado. O resto da história você e outros como eu devem conhecer bem. Peregrinações intermináveis a todos os tipos de médicos, sempre com o diagnóstico de que "estava tudo bem".  Naquela época, 1967 ou 68, ninguém sabia o que era "Síndrome ou Transtorno de Pânico". Fiquei um ano sem sair de casa, toda vez que botava o pé na rua tinha uma crise. Até que fui parar num psiquiatra que me deu o diagnóstico de "depressão atípica". Mas pelo menos me tratou e me ajudou. Tomei antidepressivos e tranqüilizantes durante um tempo até que as crises passaram. Fiquei durante muitos anos sem ter crise alguma, cheguei até a esquecer ou bloquear que "aquilo" existia. Mas um belo dia, sem mais nem menos, tudo voltou. Dessa vez já sabia o que era, procurei logo um psiquiatra (o mesmo),  ele me tratou com medicamentos mais modernos e as crises foram logo embora.


Não tenho mais crises há muitos anos, levo uma vida normal, trabalho, me divirto, viajo etc. mas sei que posso, de repente, sem mais nem menos, ter uma crise novamente. Mas essa "coisa" não me tem porque sei como ela é e como age. Fiz várias terapias alternativas, relaxamento, meditação. Faço terapia corporal e me exercito. Foram essas coisas que realmente me ajudaram.  Não tomo antidepressivos nem tranqüilizantes porque tomei horror desses medicamentos. Como você, também tive um companheiro compreensivo, o que é muito importante, mesmo assim, fiquei com algumas "seqüelas". Tenho claustrofobia (por incrível que pareça, meu medo é de espaços fechados e não abertos como outros como eu), não consigo dirigir um carro, detesto elevador (não deixo de andar de elevador, mas é sempre estressante), viajar de avião é um problema sério. Viajo, porque a vontade de viajar é maior que o medo. Tenho outras pequenas fobias e sensações estranhas que não se explicam. Chego até a me descuidar de minha saúde às vezes, porque quando sinto alguma coisa diferente, penso logo que é "aquilo" e não dou importância.


Espero que minha experiência possa dar esperanças a outros como eu, que eles vejam que podem superar essas crises, sair do inferno. Existe luz no final do túnel, mas para isso é preciso procurar ajuda. Um abraço !

 

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27 - Jeane Claudia Araujo Lobo, 53 anos, terapeuta somática existencial e psicodramatista.

 jeaneclaudia@hotmail.com

 

MEDO. "Este intruso indesejável chega de mansinho e vai se instalando dentro de nós, como se não se importasse com o mal que traz!".


Vem devagarzinho e os invigilantes não se dão conta (porque não prestam atenção) de sua nefasta intromissão. De repente, notamos sua presença, agora realmente instalado dentro de nós. Ele começa a ditar normas de conduta, grita mais alto, domina toda a nossa estrutura corpórea. O medo desencadeia reações físicas como o suor, tremedeira, falta o oxigênio e conseqüentemente dificulta o raciocínio, ficando a cabeça como se fosse separada do corpo.


O desespero, que é o irmão do medo, toma as rédeas da situação. Quer controlar o medo e é impotente e deixa-o se instalar porque não tem forças para lutar contra ele!


Mas quem é esse que tanta violência causa? Quem é esse que intrusamente chega e não vai embora enquanto não satisfaz seus instintos cruéis? Por que se tem este inimigo tão potente? Será que todos já tiveram medo? Como será que cada um sente o intruso?


Para ele se aproximar, antes de se instalar, ele deve ficar observando quais entradas pode usar. Ele não deve entrar sem observar, não, não, não acredito! Ele deve observar muito bem, como se fora um ladrão espreitando o movimento de uma casa ou qualquer outro lugar almejado. Deve averiguar se entra pela porta da insegurança, pela porta da fragilidade, pela janela do cansaço e do desgaste ou pelo portão imenso da impotência e da falta de reflexão.


Acredito que deva ser por alguma dessas portas, ou talvez, por outras mais escondidas que eu não conheço. Este intruso deve ficar espreitando quando e como se instalará, quero crer que até entre para ver como é a casa, disfarçado de qualquer coisa. Se perceber que pode ficar, aí na primeira oportunidade ele se apossa definitivamente, fixando residência. Quando o dono da casa constata sua presença, ele se apavora! Primeiro deixa-se dominar pelo intruso, intimidado. O dono da casa não sabe quem é ele e como entrou. Sente-se fraco e oprimido frente a tanta violência declarada. Depois, num segundo momento, fica como em alerta para os desvarios causados pelo intruso. Fica esperando o intruso atacar e muitas vezes esconde-se dele, não fazendo nenhum movimento que o faça acordar, fica defendendo-se cautelosamente, evita qualquer ato que o acorde!


Cansado pela situação desgastante, cria uma força enorme e o desafia em altos brados, mas para sua surpresa o intruso grita mais alto e volta todo o seu domínio. O dono da casa intimida-se novamente, tentando seu esconderijo: nenhum movimento, nenhum barulho, anda nas pontas dos pés e restringe-se apenas a sobreviver!


O medo vai se apossando de seus bens, suas conquistas, seus sonhos, sua ilusão e como um possante extraterreno, vai acabando com tudo, derrubando tudo com tanta força que o dono chora impotente, por ver tanto desastre, tanta perda, tanta desolação!


Paz Profunda. Jeane Lobo

 

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28 - Solange, contadora, 33 anos. solavit@hotmail.com

Olá Fernando! Acredito que há mais de dez anos sofro da tal Síndrome do Pânico, mas somente há uns dois anos descobri que sou portadora desse mal. Desde criança nunca consegui dormir num quarto e nem mesmo numa cama sozinha. Cresci e continuei assim. Quando vi meus irmãos casando, entrei em desespero. Como eu iria dormir sozinha? Resolvi então casar e, por falta de sorte, meu marido trabalhava duas semanas por mês durante a noite. Eu sempre levava irmãos, sobrinhos e até minha mãe para dormir comigo, mas esta situação não me fazia bem, achava que abusava das pessoas pedindo a elas que dormissem comigo.Tive uma filha e ela passou a dormir comigo na mesma cama desde seu nascimento, mas mesmo assim eu precisava de mais alguém na casa. Desisti e me separei do meu marido, uma pessoa ótima, mas devido meu medo de dormir sozinha, meu casamento chegou ao fim. Voltei a morar com meus pais e aí as crises realmente começaram. Passei anos sentindo fortes dores na barriga. Deitava-me no chão do banheiro, molhava a nuca e os punhos. O medo de morrer sempre me perseguindo. Não dormia direito à noite. Tive a maioria dos sintomas expostos em sua página.

 

Comecei a namorar novamente  há sete anos e no próximo mês irei me casar. O meu noivo é uma pessoa ótima e tem me dado todo o apoio possível para que eu me "cure". Esse ano fiz diversos exames, mais precisamente um check-up e não deu em nada. Até um exame chamado colonoscopia, pois meu intestino não funciona direito há quase 10 anos. Há alguns meses atrás, cheguei a conclusão que a SÍndrome tem a ver com isso.

 

Há três meses atrás, resolvi consultar-me  com uma psiquiatra e ela diagnosticou a Síndrome do Pânico. Estou tomando antidepressivo e ansiolítico. O antidepressivo interferiu na minha vida sexual, mas a minha psiquiatra explicou ao meu noivo que todos os antidepressivos podem causar isso e que ele deveria ter paciência comigo. Por enquanto ele está tendo essa paciência. Hoje trabalho, mas não saio de casa. Tenho medo de tudo, mas o medo de morrer é o maior e o que mais me apavora. Minha filha tem 11 anos e me pede que eu realmente me trate, pois o medo acaba prejudicando-a, pois não a deixo sair sozinha ou somente com as amigas. Tenho muito medo que ela venha também a sofrer desse mal. Sinto que tenho passado meus medos a ela. Gostaria de fazer psicoterapia para me livrar desse mal, mas o custo é muito alto. Acho que seria bom fazer parte desse grupo de apoio, onde todos que participam tem ou já tiveram esse mal, entendem esse sofrimento, essa nossa angústia e ansiedade

Um abraço e parabéns pelo seu site!

 

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29 – Funcionária de lanchonete, 22 anos.  aline_arr@bol.com.br

Quando eu tinha 6 anos, iniciei minha vida escolar.  No pré, eu era uma criança medrosa e não conseguia permanecer na escola sem chorar. Para mim, era quase impossível ficar até a hora de sair.  Relutava todos os dias para não ir, mas não adiantava, minha mãe me obrigava.  Não me lembro bem o que eu sentia, mas era um desespero, vontade de voltar para casa. Eu chorava desesperadamente. Não tinha coleguinhas, pois era muito rejeitada na escola por todos, ninguém me aceitava, sempre lanchava sozinha.

 

O tempo passou. Eu não podia sair de carro e já passava mal, mas era só de carro. Vomitava e ficava meio alucinada, mesmo assim, minha mãe me forçava a fazer a viajem. Na adolescência eu melhorei um pouco, fiz varias amizades. Namorava, saía, era até feliz, dificilmente passava mal. Pensei ser outra pessoa. Com18 anos, arrumei um namorado. Saíamos muito. Viagens de longas horas na estrada, dormia fora, enfim, podia fazer coisas que quando criança eu não conseguia. Uma vez fui tentar sair com outras pessoas, sem ele. Resultado: tive um desespero horrível no carro. Seriam as crises de pânico? Eu não sabia o que era. Passei mal a noite toda. Vomitei muito e pensei que fosse morrer. Só quem passou para saber... Depois desse dia, nunca mais saí com eles, porque foi muito ruim. Só saía com meu namorado, viajávamos muito e não voltei a ter crises.  Eu não sabia que tinha TP.

 

Namoramos 1 ano e 3 meses, foi quando tudo acabou, ele não me quis mais por causa de outra pessoa. Eu o amava. Tive uma pequena briga com essa terceira pessoa. Eu nunca briguei com ninguém por MEDO. Ela me deixou para baixo e ele a preferiu.  Depois do episódio da briga, entrei para casa sentindo enjôos. Vomitei, fiquei desesperada - a famosa crise de pânico. Até o momento, eu não sabia que se tratava do velho pânico, eu não tinha consciência dessa doença, pensei que estava ficando louca, sem nada entender. A partir daí, meu mundo acabou. Nunca mais fui feliz.  Sabe porque? Porque todas as vezes que tentava sair, começava a passar mal. Tentei até sair com ele, mas até com ele eu passei mal. Tentei ir naquela festinha das amigas e deu tudo errado... Lembrei-me que uma vez fui na casa de uma tia dormir e não consegui, tive crises intermináveis a noite toda...

 

Hoje cheguei a um ponto  terrível, não posso fazer nada, sinto-me muito só. A partir daí, comecei a passar mal toda vez que saía de casa. Parei de sair, abandonei  as amizades, pois eles não me entendiam e me julgaram mal. Comecei a levar uma vida solitária.  Hoje, só consigo ir pro trabalho, não consigo conversar com as pessoas, passo mal. Assim que chego do trabalho, me isolo em casa. Nunca tomei remédio, porque não tenho dinheiro para ir ao médico. Sendo assim, convivo todos os dias com esse medo de tudo e de todos. Sinto-me morta por dentro de tanta solidão. As coisas não andam e eu não sei direito o que eu faço da minha vida. Não consigo namorar, quando tento, não consigo ficar do lado da pessoa, sinto desespero e náuseas, é horrível.

 

Adorei esta página, nos esclarece sobre essa doença que é muito pouco falada, mas muito sentida por nós. Obrigado por tantas informações sobre o pânico. Ainda tenho fé que um dia poderei sair de casa novamente sem passar mal.

 

Fico por aqui. Que Deus te ilumine cada vez mais. Você  tem ajudado muitas pessoas a compreender certos fatos e esta me ajudando também.

 

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30 - Lúcia,  32 anos, psicóloga. hpinho@zipmail.com.br

Pesquisando sobre a Síndrome do Pânico, encontrei seu site. Antes de mais nada, gostaria de dar-lhe os parabéns por ter a iniciativa de divulgar, de forma simples e objetiva, sobre esse transtorno.

 

Recentemente tive uma crise,  achei que fosse "morrer", foi simplesmente horrível. Depois de perambular por várias especialidades médicas, fazer diversos exames e obter resultados do tipo - você não tem nada físico, é apenas um estresse -, imaginava ser a Síndrome por conhecer um pouco sobre o assunto, mas a princípio, não queria acreditar, sempre procuramos os especialistas errados, como cardiologista, neurologista, endocrinologista e etc... Mas o psiquiatra  e o próprio psicólogo, ficam em segundo plano.

 

Atualmente, com técnicas de relaxamento, de respiração e compreensão do meu limite, estou melhor, mas durou em torno de duas semanas, foi horrível. Posso considerar a segunda crise, por que em 97 passei por um processo semelhante, uma crise sem um fator desencadeante, no auge da minha carreira profissional. Sem entender o que acontecia comigo, fui diversas vezes em pronto-atendimentos, procurei diversos médicos e fiz vários exames, nada significativo foi encontrado, a não ser uma série de remédios prescritos desnecessariamente. Resolvi doar tudo para um posto de saúde. Tirei férias, viajei durante um mês e  voltei outra. Na época, não me preocupei muito, imaginava ser apenas um estresse, em função da vida agitada que levava. Pedi a Deus para "aquilo" nunca mais voltar. Depois tive sintomas isolados,  mas nada que me atrapalhasse no meu cotidiano.  A última crise comprometeu meu trabalho e minha vida social por alguns dias, até a compreensão, aceitação de meus limites. O que me ajudou muito foi um pouco de  conhecimentos sobre o assunto, por que se deixasse por conta dos médicos, estaria perdida. A falta de informação entre eles e a forma como lidam com o paciente, é complicada. Não passam uma verdadeira realidade da situação. Tentam ver o paciente de forma isolada e não o ser como um todo. Mas concordo com você: "tenho a Síndrome do Pânico , mas ela não me tem". Lutarei com todas as armas para não entrar em crise novamente. É simplesmente horrível, não desejo para o meu pior inimigo, se os tivesse.

 

Com o relaxamento e aceitação de meus limites e um controle da rigidez em relação a minha pessoa, tenho estado bem melhor, mas ainda me assusto um pouco com a situação, apesar de conhecer  o processo. Agora não me deixo invadir pelas crises, saio normalmente, faço minhas atividades regularmente, estou levando uma vida mais descontraída, como  fazer um esporte (natação, pois ela ajuda a equilibrar a química dos neurotransmissores).

 

Estou muito interessada em fazer parte do grupo, poder compartilhar experiências com outras pessoas, poder ajudar outras pessoas a superar as crises e viver de forma mais tranqüila e digna. A força eminente que existe dentro de cada um de nós é transformadora e se chama : DESEJO. Se somos a projeção da nossa  mente, devemos potencializá-la ao máximo para o equilíbrio. Disponibilizo-me a ajudar, a  esclarecer, vencer e superar a S.P, desmistificar  a idéia da impotência. Gostaria muitíssimo de participar do grupo, se possível me mande informações sobre os encontros e datas a serem realizados

Atenciosamente, Lúcia

 

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31 – Técnica em Contabilidade – 34 anos. Sou mineira, mas há seis anos moro só em Cuiabá. Só eu e Deus. Logo após perder meu pai, conheci um homem pelo qual me apaixonei. Foi através dele que vim parar tão longe de casa. Nosso relacionamento começou errado, deu errado, ele se foi e eu fiquei. Fiquei por que tinha encontrado um emprego legal, com boa remuneração, do qual eu gostava muito e também por saber que na minha cidade natal não teria tal oportunidade.

 

Os anos foram se passando e eu me fechei na mais absoluta solidão. Por mais que eu tentasse não conseguia me adaptar às diferenças culturais, e, sinceramente, não conseguia deixar ninguém se aproximar de mim. Como sempre fui dada a depressões, há um ano resolvi voltar à psicoterapia, uma forma de tentar me sociabilizar novamente e interromper o processo depressão -medicamentos. Há mais ou menos oito meses tive uma crise horrível a qual chamei de hipoglicemia. Já havia tido há anos atrás, por isso não foi difícil me auto-diagnosticar. Procurei um endocrinologista, que fez todos os exames e nada! Já fazia tratamento com um neurologista por causa de uma enxaqueca, ele me disse que era ansiedade e que se eu sentisse novamente era para tomar um daqueles "comprimidinhos". Comecei a achar que estava enfartando, tinha taquicardia e dormências. Fui a um cardiologista, mais exames e nada. As crises diminuíram. Me esqueci.

 

Em novembro as "crises" voltaram com força total, comecei a achar que estava morrendo, fui parar várias vezes em hospitais e pronto-socorros. Taquicardia, tonturas, vertigens, falta de ar (paradoxalmente o ar não tem nenhuma resistência para entrar nos pulmões), desconforto abdominal, dormências.

 

Moro só. A solidão de minha casa aumentava, mais ainda o medo de ter uma crise fatal. O medo gerava novas crises. Os médicos, os meus e principalmente os plantonistas, chegavam a rir de mim, dizendo que não era nada, "é ansiedade". Achei que pudesse ser cansaço, ou "estresse", e que com a chegada de dezembro, minha viagem anual para "casa", rever a família e os amigos, me faria bem e tudo voltaria ao normal. Passei vinte dias em casa e não tive nada. Minhas férias foram normais, ri muito, dormi, brinquei com os sobrinhos, saí com amigos. Achei que era mesmo somente cansaço. Há quinze dias tudo recomeçou. Me dei conta que, por achar que não tinha importância ou por vergonha, ainda não tinha comentado nada com minha terapeuta. Ela está de férias. Sexta-feira tive outra crise, e, no desespero, encontrei tua página na internet. Me vi em cada depoimento que li. O sofrimento e a angústia de cada palavra descrita pareciam meus. Uma certa sensação de alívio veio acompanhada da responsabilidade de saber lidar com tudo isso.

 

Gostaria de me corresponder com outras pessoas que padecem do mesmo mal, e se possível, que me informasse se é do teu conhecimento se em Cuiabá/MT tem algum grupo de apoio como os de BH. Que Deus o abençoe pela iniciativa.

 

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32 – Secretária - 24 anos - editograf@uol.com.br

Sofro de Síndrome do Pânico desde os dezessete anos. Faz seis anos e meio. Quando tinha cinco anos, meus pais se separaram me deixando para trás com minha avó, mãe do meu pai. Minha mãe não fez força de me levar junto com ela, ela me abandonou levando apenas o meu irmão mais novo. Somos três irmãos. Minha irmã morava com a avó, mãe da minha mãe. Morávamos com meu pai, eu e meu irmão. Ao se separarem, por ela ter feito traição ao meu pai, fui a que mais sofreu. Minha mãe sempre me batia muito. Cheguei a vê-la com um amante. Ela pediu-me para que não contasse nada ao meu pai, se não ela me arrebentaria os dentes. Eu morria de medo dela. Fiquei morando com minha avó em uma cidade do interior do Paraná.

 

Quando eu tinha uns sete anos, tive a primeira crise. Eu estava na casa de uma colega onde havia ido brincar, e, quando estava indo embora, começou a me dar um mal estar. Parecia que eu ia morrer. Medo! Eu gritava desesperadamente chamando minha avó como se fosse morrer naquele momento. Minha avó veio ao meu encontro e me abraçou. Logo a crise passou.


Minha avó decidiu me levar ao médico. Fui, fiz um eletrocardiograma. Nada tinha no coração. Tomei remédios, como era pequena, não me lembro o nome. Por um bom tempo tudo melhorou. Aos onze anos saí daquela cidade e vim morar com uma tia na cidade de Salto - SP, para ficar mais perto do meu pai. Meu pai se casou de novo, fui morar com ele. Estava feliz, estava perto do meu pai, uma pessoa que se importou muito comigo.


Quando estava com dezessete anos e meio, trabalhava em uma firma. De repente, parecia estar morrendo. Pedia para que as pessoas me ajudassem, mas ninguém entendia o que estava acontecendo comigo. Medo, desespero, secura na boca, as mãos e pés suavam, me sentia como se não estivesse mais ali. Aos poucos tudo foi passando. Minha amiga me acompanhou até em casa, e fiquei mais segura. Resolvi ir ao médico psiquiatra. Fiz eletroencefalograma e eletrocardiograma. Não deram em nada, tudo normal.

 

Aos dezoito anos, engravidei e larguei o tratamento para trás. Não andava e nem ficava mais sozinha. Sempre pensando que, quando nascesse o bebê, eu melhoraria. Felizmente a criança nasceu, uma menina linda que eu amo muito e dou muito amor a ela. Como fui rejeitada por minha mãe, dou amor demais a minha filha. Meu marido é um excelente marido e pai, sofre comigo nas minhas crises da Síndrome do Pânico. Moramos três anos com minha sogra. Mudamos para nossa casa nova assim que terminas de construí-la. Que desespero! Teria que ficar pelo menos uma parte do dia sozinha com minha filha. A primeira semana foi bem, mas nas outras... Fiquei dois anos indo com meu marido ao escritório. Nós temos um escritório de Editoração Gráfica. Tinha dia que ficava o dia inteiro lá sem fazer nada e em casa tudo para fazer e acumulado. As vezes ia o dia inteiro e a noite para trabalharmos, tudo isso porque eu não ficava sozinha. Comecei a fazer tratamentos psiquiátricos e psicológicos. Tomo tranqüilizantes.

 

Em Julho de 99, decidi enfrentar e comecei a ficar em casa com minha filha. Não foi fácil, mas não desisti, fui fundo, estou conseguindo. Não é sempre que me sinto bem. Por enquanto eu ainda não ando sozinha pela rua, está difícil superar essa parte. Mas, ficar em casa sozinha, estou conseguindo. Tirei carta e dirijo só se tiver alguém de confiança do meu lado. Só ando na rua se tiver alguém de confiança também.


Está sendo muito difícil para mim, tenho sempre recaídas. A Síndrome do Pânico é muito traiçoeira. Quando penso que ela está passando, ela volta de repente me deixando para baixo. Hoje estou angustiada. Acho que foi porque reagi ao máximo para não tomar o tranqüilizante, fiquei oito dias sem tomar, mas caí em tentação e tomei o remédio.

 

Gostaria de parar de tomar esse medicamento. Faço tratamento homeopático e tomo remédios naturais. Gostaria de ficar só com a homeopatia e parar com alopatia, para ter um tratamento natural, uma vida saudável e sem nada de pensamentos psicológicos. Às vezes acho que nunca vou melhorar e aí me entrego ao fundo do poço. Algumas vezes tenho forças e vontade de melhorar muito pela minha família e por mim mesma.


Gostaria que você, Fernando Mineiro, me enviasse um e-mail e me colocasse em contato com alguém que tenha uma situação parecida com a minha, para podermos sempre teclar. Um grande abraço e que Deus nos ilumine sempre.

 

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33 – Fátima, Revisora, 46 anos.  Quero parabenizá-lo pelo excelente site e pelo maravilhoso trabalho voluntário que você vem fazendo.  As informações são claras, simples, precisas e certamente de grande ajuda para as pessoas que ainda estão perdidas no labirinto horripilante que é o TP.


Há quatro anos atrás, passando por um momento difícil em minha vida, comecei a ter crises de pânico, que foram aumentando de freqüência e intensidade até se tornarem diárias, várias vezes por dia!  Eu estava desesperada, sem entender o que se passava comigo...Tudo bem, eu estava com problemas, mas não associava as crises aos meus problemas pessoais. Aquilo que eu sentia, se pensasse racionalmente, era extremamente exagerado em relação à dimensão dos meus problemas. O pavor, o horror  e os sintomas físicos que eu sentia eram extremamente desproporcionais ao tamanho dos meus conflitos! Lembrei que tivera algo semelhante sete anos antes e que nas minhas diversas idas a pronto-socorros, o remédio era sempre o mesmo: calmante e repouso. "Eu nada tinha. Nada grave, pelo menos". Lembrei também que, na época, fui me "encorujando" em casa, até chegar ao extremo de não conseguir abrir a porta e sair à rua sozinha.


Num determinado dia, cansada de me sentir tolhida no meu direito de "Ir e vir", "bolei" um plano estratégico de "Saída Gradativa à Rua". Eu nada sabia de "exposição", "dessensibilização", "terapia comportamental" ou seja lá o que for. Eu não sabia nem mesmo o que tinha!  Imaginava que era alguma loucura da minha cabeça. Não conhecia ninguém que tivesse o mesmo problema...Coloquei em prática meu plano de exposição gradativa, não sem ter diversas crises durante a execução dele. Para falar a verdade, era a única coisa que eu fazia fora de casa, naqueles dias. Saía de casa, sozinha, somente para executar meu plano que era bem simples: andar uma quadra por dia e voltar para casa. No dia seguinte, aumentava uma quadra e assim sucessivamente, até conseguir ficar a uma distância bem razoável da minha casa.


Após essa etapa, como já me sentisse um pouco melhor, comecei a andar de ônibus, apenas uma parada ou ponto por dia e voltava para casa. Fui aumentando o número de pontos, dia-a-dia, até conseguir atravessar um, dois, três bairros de ônibus, etc...


A terceira etapa foi associar ônibus e metrô, pois o objetivo era ficar o maior tempo possível longe de minha casa e o mais longe também. Esse plano durou meses, claro.  Só comecei a sentir melhor os resultados, no final do primeiro mês. Até então, o pavor era imenso. Tinha crises durante o meu exercício diário. Sim, o que estava fazendo era um exercício. Ou melhor, eu estava reaprendendo a sair à rua naturalmente, como qualquer mortal. Com meu esforço e persistência, obtive sucesso! Melhorei, mas não fiquei sabendo o que era aquilo.


Voltando há quatro anos atrás. As crises estavam insustentáveis, pois ocorriam diariamente, diversas vezes por dia...Com a reincidência das crises diariamente, passei a ter medo de ficar em casa. E aí? E aí? Que fazer? Pior: tinha medo de sair à rua também! A sensação que eu tinha era de "não ter saída". Se estava em casa e tinha uma crise, queria sair correndo para a rua! Ao chegar à rua, queria voltar correndo pra casa!  enlouquecedor!


A situação se tornou tão grave que resolvi pedir socorro aos meus familiares, num momento de crise. Até então,  quando podia, eu “disfarçava” o que sentia. Naquele dia eu estava tão ruim, que foi chamado um psiquiatra conhecido da família. Ele conversou comigo, me medicou e me encaminhou a outro psiquiatra, mas não sem antes recomendar que eu ficasse na casa de minha mãe, descansando por uns dias. Consultei a psiquiatra indicada e ela prescreveu, além da medicação, uma "internação domiciliar", de vinte dias, na casa da minha mãe. Quando eu cheguei no ponto de ter a "internação domiciliar", já estava incapacitada para tudo: havia largado o emprego, não saía mais à rua sozinha, não ia à casa de ninguém, já abandonara os meus amigos, não dirigia mais, enfim, vivia quase que num completo isolamento, pois nem em casa conseguia ficar tranqüila. Simplesmente horrível!


Quando me perguntavam de que eu tinha tanto medo eu respondia: não sei... só sei que tenho medo do medo! Racionalmente, ter medo do medo era algo completamente absurdo pra mim. Como ter medo de algo que não é palpável? E ainda mais medo do medo? Como ter medo do medo? Só podia estar ficando maluca mesmo!  Eu sabia que as pessoas têm medo de aranha, barata, andar de elevador (eu mesmo tinha)...  Mas esse medo era diferente...  Não sabia bem como, mas era isso: Eu tinha medo do medo!  Não preciso dizer que ninguém entendia! As pessoas queriam que eu dissesse que tinha medo de coisas ou situações bem concretas! Eu mesma queria isso! Meus familiares se esforçavam para me entender, procuravam me dar apoio. Mas era bastante complicado...


Bem... Aos poucos, com terapia, medicação e exposição gradativa para fazer a dessensibilização, fui melhorando. Praticamente passei a ter uma vida diária normal.


Contudo, ainda não recuperei algumas coisas que fazia antes de ter essa recaída grave há quatro anos atrás. Continuo na batalha! Continuo fazendo terapia e tomando medicação.Tenho meus objetivos de vencer os obstáculos que ainda faltam e estou trabalhando neles, obtendo já algum sucesso. Minha família tem me apoiado e me ajudado bastante. Mesmo não estando curada, considero-me uma vencedora!


Deixo uma mensagem de esperança a todos que ainda estão perdidos nos labirintos do TP: creiam, se há labirintos, há saídas! Desejo que cada qual encontre a sua o mais breve possível!

Carinhosamente, Fátima

 

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34 - Estudante de medicina, 21 anos - Sou portadora do TP há 4 meses. O TP tem dificultado bastante a minha vida, visto que, como acadêmica de medicina, é exigido de mim um grande esforço.

 

A minha primeira crise aconteceu no corredor do laboratório de anatomia da minha faculdade. Apesar de estar cercada por estudantes de medicina, ninguém sabia o que fazer. O desespero era imenso. O meu coração batia a mil por hora. A minha respiração estava ofegante e meus braços e meu rosto ficaram dormentes. Eu não conseguia parar em pé. Parecia que eu ia morrer. A única coisa que eu conseguia pensar era: "cadê o professor? Alguém acha o professor, por favor!" Mas eu só pensava, porque não conseguia falar. Chegaram a chamar o Ecco-Salva (serviço de atendimento-médico), mas quando os paramédicos chegaram eu já estava bem melhor. Deram-me uma injeção de tranqüilizante e me mandaram para casa.

 

Isso aconteceu numa sexta-feira. Na segunda eu já estava no consultório de um neurologista. Passei a tomar um ansiolítico e um antidepressivo. Hoje em dia eu vou levando a vida. Tenho algumas crises de vez em quando, mas não tão horríveis como a primeira ou como as que tive no final de 2000 e início de 2001. É difícil para eu conciliar a doença e a faculdade, já cheguei a pensar em desistir, o que mostra como eu estava mal, porque a medicina é minha vida. Não consigo pensar em ter uma vida feliz sem ser médica. Como não sou de Curitiba e moro aqui sozinha, gostaria de ter mais apoio das pessoas que me cercam, já que a minha família está longe.

 

Aos poucos vou vencendo a batalha e espero chegar a me formar e ser uma ótima médica. Às vezes é difícil pensar no futuro, às vezes eu acho que não vou conseguir. É por isso que peço a ajuda de qualquer pessoa e estou disposta a ajudar outros portadores de TP, que também precisem de ajuda.

 

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35 – Secretária, 27 anos. Tenho crises de pânico desde os 12 anos. Naquela época eu não tinha conhecimento a respeito de TP, meus familiares também não. Eu passava mal em muitos lugares e tudo o que os médicos diziam era "hipoglicemia", embora eu nunca tivesse feito um exame de curva glicêmica. As coisas não eram tão complicadas para mim, no ponto de vista "fóbico", naquela idade. Eu tinha uma ou duas crises por ano apenas e não sentia medo de ter medo. Minhas crises eram rápidas,  duravam no máximo de 3 a 5 minutos. Em seguida, eu retornava o que estava fazendo. Até que um dia, eu simplesmente parei de andar. Sem maiores explicações, minhas pernas adormeceram e eu não conseguia ficar de pé durante minutos ou horas. Essas crises iam e vinham. Resultado: fui internada no hospital 9 de julho em SP aos 14 anos, para descobrir o porquê da paralisia súbita. Fiz mil exames. Fiquei quase uma semana no hospital e o veredicto médico foi: "crise de histeria" ou seja, segundo ele, eu estava somatizando tudo aquilo. Como meus pais estavam separados na época (eu morava com o meu pai), ele sugeriu que isso poderia ser o motivo das tais crises. Meus pais resolveram reatar o casamento por minha causa e, além disso,  decidiram que eu me trataria com um psicólogo, o que infelizmente não durou muito. Meu pai sempre foi muito cético acerca dessas coisas e, após um mês de tratamento, resolveu que eu não mais iria, que era bobagem, etc.

 

As crises de paralisia continuaram por um tempo, até  se espaçarem bastante, coisa de uma por ano, com duração máxima de uma hora. A última foi em 1989. Mas o pânico não sumiu. Eu tinha crises rápidas e agudas, com os sintomas: terror absoluto, suor frio, medo de enlouquecer, pensamento rápido e confuso. Não importava onde eu estivesse. Quando começava, eu só tinha uma coisa em mente: "FUGIR!" Eu saía correndo de onde quer que fosse:  restaurantes, metrô, shoppings e, invariavelmente, bastava por o pé para fora do lugar, para me sentir melhor. Nessa fase, minhas crises continuavam rápidas, 5 minutos no máximo. Isso durou muitos anos, dos 17 aos 21, quando eu comecei a desenvolver o medo de ter medo e as tais fobias, pois as crises tornaram-se freqüentes para mim. Passei a ter uma por mês pelo menos. Isso ajudou a desencadear todo o processo.

 

Até 1993, eu não sabia o nome da coisa. Em 1994, li uma matéria a respeito e me identifiquei de imediato. Eu soube desde o momento que li aquela revista que era portadora da síndrome do pânico. Resolvi fechar a boca com medo do preconceito e, admito, porque no fundo eu achava que poderia controlar tudo aquilo com a minha "força de vontade". Doce ilusão, eu não podia e ainda não posso.


Daquele tempo para cá, muita coisa aconteceu, mas eu preferi fazer vista grossa. Mil sintomas se apresentaram: apatia, medo de estar com pessoas, de ir a lugares cheios, de conhecer gente nova e outros. No entanto, não me dei conta que não estava vendo nada ou, no mínimo, não estava entendendo nada.

 

Em 1997, mudei-me da capital de SP, para o litoral, cidade de Santos. Conheci alguém e resolvemos morar juntos. Tudo estava bem, até que em 1998 tive uma suposta crise de apêndice e fui parar no pronto socorro. O médico me examinou e disse que iria me operar. Eu estava apenas com meu marido, meus pais estavam em SP, ambos doentes, com câncer, não tinha a quem chamar. Meu convênio cobriria apenas enfermaria e eu ficaria sozinha. Aquilo tudo foi me dando pavor, fui começando a ficar insegura e ansiosa. Enquanto me preparava para a internação, quando ainda no OS, as enfermeiras tentaram colocar-me no soro, estouraram duas veias. A dor foi imensa, acredito que aquilo tenha agravado a situação, porque na hora eu simplesmente surtei, comecei a gritar, pedir para sair, para que retirassem o soro, que eu queria ir embora. Elas tentavam me acalmar, mas qual, não tinha jeito, a crise havia sido deflagrada e, nessa hora, não tem "acalme-se" que resolva, principalmente vindo de gente estranha. O médico autorizou a retirada do soro e eu saí pela porta do PS com todo mundo me olhando, praticamente correndo. Quando cheguei do lado de fora, tive um acesso de choro. Parecia uma criança. Meu marido, sem entender nada, me abraçou, nos enfiou num táxi e me levou pra casa. Aquele abraço, naquela hora, valeu mais que tudo. Algumas horas depois, passada a crise, eu parei e pensei seriamente no que havia ocorrido. O que eu tinha feito era loucura pura. Se realmente eu estivesse tendo apendicite, teria que ser operada imediatamente ou morreria de fato. Parei para pensar mais na imbecilidade que havia feito, do que no ridículo da situação. Foi ali que me toquei que precisava seriamente de ajuda, que eu não estava me controlando e havia chegado a ponto de colocar a minha vida em risco. Resumindo este episódio: naquele mesmo dia minha mãe, mesmo doente, veio até Santos e me levou num outro hospital, pois eu não queria ir ao anterior. Lá o médico entendeu minha situação, fez um exame de sangue e decretou: "apendicite você não tem". Ai começou a peregrinação médica para saber "o que eu tinha". Cheguei a fazer colonoscopia e nada, porém o medo que fosse apendicite não passava, eu contava os dias, pois a apendicite causa uma dor forte que melhora mas não passa e atinge seu auge em cerca de 8 dias. Eu apertava minha barriga e soltava vinte vezes por dia para ver se estava doendo (é o teste de apêndice), o que confirma o quadro de cirurgia. Se doía, ficava contando os dias para ver se passava de 8. Quando passava, eu começava a contar de novo.Uma loucura total! Eu morria de medo de ter que ser operada, foi ai que desenvolvi a fobia de hospital que carrego até hoje.

 

Voltando àquele episódio, eu não me esqueci de que precisava de ajuda e procurei uma psicóloga e marquei uma consulta. Chegando lá, foi batata, ela confirmou o quadro e comecei a fazer consultas quinzenais.  Ela me ensinou exercícios de respiração, relaxamento autógeno e tantas outras coisas, sobretudo conversávamos bastante e ela insistia muito para que eu procurasse um psiquiatra, pois somente a terapia não bastava, o que resolvi fazê-lo depois de algum tempo. Não simpatizei com o primeiro e tentei outro, com quem tive uma empatia imediata. Ele identificou o problema da minha dor de barriga  -síndrome do cólon irritável- ,ou seja, acontece quando você despeja os seus problemas emocionais no intestino. Receitou-me um antidepressivo, o qual não deu certo devido a muitos efeitos colaterais. Depois tentamos outro e, esse sim, deu certo. Eu tomava diariamente 10 mg dele. Foi-me receitado também um ansiolítico, o qual só deveria ser tomado em casos de crise. Nunca tomei, me lembro que o joguei  fora poucos meses atrás por já estar com o prazo de validade vencido.

 

O tratamento foi ótimo, dois meses depois, eu já não tinha mais dores, nem crises e estava começando a identificar todos os sintomas, aqueles que sentia desde criança, e também as fobias. Meu processo de exposição foi um sucesso, tanto que, meses depois, precisei ficar no hospital, no soro, por um dia e não tive nada, o que fez com que meus médicos ficassem felizes dizendo que logo eu encerraria o tratamento, o tal desmame. Tudo estava bem, eu tinha uma vida normal, saudável, viajava, pegava elevador, metrô, restaurante, qualquer coisa, sem problema algum. Aí tive dois problemas familiares sérios, meu pai faleceu em 1999 vitimado por um câncer de estômago e minha mãe em 2000 de câncer de mama. Na ocasião do falecimento dela, eu estava desempregada e meu marido ganhando pouco, apenas o suficiente para bancar a casa, era ela quem mantinha o meu tratamento psicoterápico, o qual tive que abandonar. Para completar a lista, minha mãe faleceu dia 13/06 e, em 26/06, descobri que estava grávida, o que fez com que eu também tivesse que abrir mão do medicamento. Misteriosamente, eu tive forças para abandonar a medicação de supetão. Não tive problemas, não tive crises durante a gravidez, nem o menor sinal dela, foram 7 meses tranqüilos, até que meu marido perdeu o emprego, a empresa faliu e ele não recebeu nada, nem fundo de garantia. Para piorar, o meu plano médico me excluiu e eu não tinha sequer onde fazer o parto (estamos guerreando na justiça até hoje).

 

Comecei a ter os sintomas leves da "coisa". Não sei se feliz ou infelizmente, eu não me apercebi deles, levei tudo como se nada estivesse acontecendo. No dia do parto, fui para o hospital tranqüila, fiquei no soro, na sala do pré-operatório, sem problema algum. Tomei anestesia e deitei na mesa, iria fazer cesárea, pois minha filha estava enrolada no cordão umbilical. Os médicos conversavam comigo, brincavam, tudo estava bem, até que, na hora em que a tiraram eu ouvi o choro e surtei de novo. Do nada, bem no meio da cirurgia, comecei a gritar por ajuda, me desesperar, queria fugir e não podia, pois estava anestesiada e amarrada, me deu desespero do soro, dos médicos, de tudo enfim. Fui sedada na hora pelo anestesista, nem vi o rostinho da minha filha. Algum tempo depois, acordei saindo da sala e dei com o meu marido e meus tios no corredor do hospital. Meu marido foi sábio, fez uma dívida monstro e me colocou num quarto particular, ele sabia que eu não iria suportar ficar sozinha. Cheguei no quarto e logo me trouxeram a menina. Foi uma coisa estranha, eu não senti nada, achei que iria ficar emocionada, que iria chorar, mas nada senti, me preocupei com isso, mas achei que passaria. Foram dias de horror, minha filha chorava tempo integral, eu não conseguia dormir, ela não pegava o seio, gritava. Vinha médico, pediatra e nada, eu estava ficando desesperada, passei a sentir dores de barriga novamente. Como na ocasião do apêndice, eram tão fortes que me dopavam com morfina. Comecei a piorar, passei a rejeitar a menina, não queria nem vê-la e ,no dia da alta, dentro do quarto, tive 3 crises seguidas, violentas e diferentemente das outras vezes, eram longas, duraram horas e não passavam totalmente. Quase que não tive alta, mas eu precisava sair dali, achei que melhoraria assim que colocasse os pés na rua, mas não, ao entrar em casa, tive outra crise, e depois outra, passei minha primeira noite sentada na cama, agarrada ao travesseiro, dizendo que queria morrer. Meu marido se desesperou, minha família também. Foi minha tia quem cuidou da menina, pois bastava eu ouvir o choro para ter uma crise e só conseguia dormir com ansiolítico. Eles resolveram então chamar a minha médica em casa, ela veio e conversou comigo, disse que eu havia recaído e que precisava tomar o remédio. Voltei ao psiquiatra que me receitou o mesmo medicamento, mas me proibiu de amamentar, ai bateu a culpa, eu só chorava e tinha crises seguidas, não queria parar de dar o peito à minha filha, afinal era a única coisa que eu, como mãe, estava conseguindo fazer. Porém, mesmo com toda a culpa, parei. Minha tia me convenceu disso com um argumento retumbante: "você é tudo que ela tem!" Era fato, parei de amamentar e passei a tomar o remédio e voltei com as minhas consultas, desta vez semanais,.É a única coisa para a qual saio de casa, me tranquei dentro dela, coisa que jamais havia feito na vida e mesmo assim, não me sinto segura.

 

Minha tia que mora na capital, está aqui desde que minha filha nasceu. É só de pensar na  possibilidade dela ir embora e sinto que vou enlouquecer de pavor. Minhas crises hoje são cheias de dores no peito, meus pés adormecem (mas eu fico de pé, sem paralisia). A respiração se altera e todos os terrores, medo de enlouquecer, etc ressurgem, com uma diferença, antes eles desapareciam em 5 minutos, hoje demoram cerca de 1 hora.


Hoje 15/03/2001, minha filha Janaína tem 32 dias. Meu tratamento tem menos tempo do que isso. O medicamento demora para fazer efeito, cerca de um mês em média, mas eu já comecei o trabalho de exposição. Já cuido do bebê praticamente sozinha, quase que em tempo integral, apenas à noite minha tia ou meu marido cuidam dela (porque à noite meus sintomas pioram sensivelmente). Se tenho que sair de casa, começo a sofrer dois dias antes. Outro dia saí de carro, apenas para ter outra crise, no entanto, estou comemorando o fato de estar há 5 dias sem ter crises dentro de casa e, principalmente, o fato de estar olhando, pegando e tratando a minha filha com todo o amor que possuo.


Agradeço o seu site Fernando, porque nunca havia conhecido ninguém, nem visto depoimentos de pessoas com TP. Identifiquei-me e me emocionei com vários deles. Senti que posso melhorar muito lendo tudo isso e me  correspondendo com pessoas que tenham o mesmo problema, pois no fundo, eu sei que é só questão de boa vontade e tempo. Peço desculpas pela extensão do depoimento, mas eu queria de fato contar "tudo" e olha que eu ainda resumi a primeira fase (risos).


Obrigada!

 

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36 - Lucilia Mascheretti, 59 anos, Socióloga - lmascheretti@hotmail.com - Coordena Bate-papos sobre o TP. Só agora, quase aos 60 anos, descobri que minhas crises de pânico estão ligadas única e diretamente a problemas familiares, problemas bastante graves: separações e doenças incuráveis. Ao descobrir que estes fatores desencadeiam em mim o pânico -o qual tenho desde os 21 anos e a claustrofobia - que adquiri aos 26 anos, já consigo enfrentar quase que muito bem a sensação de que vou morrer sem que ninguém me socorra. Digo a mim mesma que a tirania do medo não vai me dominar. Quando sinto que vou ter a crise, olho-me no espelho, me belisco e digo a mim mesma: será possível que você não consegue dominar este medo? vai entrar em pânico de novo? vai ficar "panicosa"? Belisco-me várias vezes para tirar aquela sensação estranha de que eu não sou eu, que estou amortecendo. Tenho conseguido até rir de mim  mesma defronte ao espelho. Aos poucos acaba aquela sensação de amortecimento geral, aquela sensação de que vou desmaiar. Tenho conseguido não chamar ninguém para me socorrer. Eu mesma me socorro diante do espelho. É esquisito, mas é assim mesmo que me domino. Não tomo remédio algum, porque até medo de tomar remédios eu tenho, acho que eles vão me matar.

 

Aproveito a oportunidade, para também me colocar à disposição de pessoas que lidam com o mal de Alzheimer - cuido de minha mãe há 10 anos com este mal, é uma das coisas que também interferem no meu TP e que consigo conviver com ele muito bem, conforme lhe disse.

 

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37 – Luiz Carlos, Comerciante, 41 anos - luizdamatta@zipmail.com.br  - Parabenizo-o pelo seu site e pela contribuição que você tem dado aos  portadores da Síndrome.

 

Esse transtorno do Pânico, eu o tenho há 21 anos. Perdi muitas oportunidades na minha vida, mas procuro lutar para que ele não me derrote. Não vou me alongar descrevendo como começou e sobre os sintomas, pois todos já sabem como eles agem. Ainda tenho algumas dificuldades, como por exemplo, o transito congestionado.

 

Ainda não me casei. Nesse momento, estou tendo a oportunidade de viajar para a praia, mas está sendo muito doloroso um conflito interno:  tenho o desejo de ir, mas alguma força estranha me impede avisando-me  que terei as crises na estrada.

 

Pratico muito esporte. Jogo futebol quatro vezes por semana. Faço ioga, massagens orientais e terapia.

 

Não tomo nenhum medicamento, já tomei antidepressivos por um ano. Existem algumas situações que eu gostaria de me expor, mas levaria mais tempo. Portanto, estou disposto e desejoso de que não só você, como as outras pessoas, se quiserem, podem se comunicar comigo. Quanto ao meu relato você pode usa-lo como quiser. Um abraço e até....

 

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38 – Professora, 30 anos.  Oi!  Parabéns pelo site. Descobri esta página hoje, e já a mais de três horas que estou aqui lendo os depoimentos. Identifiquei-me muito com algumas pessoas... Pelas expressões que usam como "a coisa" ou "uma muleta". E também, é claro, pelas sensações.

 

A minha história com o TP começou quando tinha 16 anos. Fumava maconha, com uma prima, desde os 14. Gostava um pouco até, mas não tinha aquela "necessidade" que a minha prima demonstrava. Para ela, era importante fumar muito e todos os dias. Para mim, só de vez em quando, e em pequena quantidade, estava bom.

 

Certa vez, minha prima, com sua forte personalidade, foi até a minha casa convidar-me para sairmos e, óbvio, fumarmos com um amigo dela. Era uma tarde fria e chuvosa de sábado. Eu não estava muito a fim de ir com ela, mas a insistência era grande... Mas eu ainda tinha uma alternativa: meus pais nem sempre me deixavam sair com ela, porém, estranhamente, naquele dia, eles deixaram sem maiores perguntas.

 

Fumamos muito... Geralmente, nas outras vezes que eu havia fumado, sempre tinha hora para voltar para casa, sempre tinha a preocupação com "se os meus pais descobrirem..." Mas, naquela tarde, tudo era diferente: era cedo, não me havia comprometido com horário para voltar para casa. Então, pensei: "hoje vou fumar muito só pra ver qual é".

 

Foi o que aconteceu... Fumei muito... Estava sentindo-me muito bem: uma sensação de leveza enorme, parecia que eu estava sonhando, parecia que eu estava voando... Então pensei: "Está tão bom aqui (naquele vôo imaginário), vou só dar uma descidinha para ver o que acontece". Foi, então, que eu tive a pior sensação da minha vida: não conseguia descer! Meu coração disparou, tudo parecia um pesadelo, não mais um sonho como antes. Não sentia meu corpo, tinha formigamento, confusão mental, sentia muito frio, endurecimento do queixo... Achei que estivesse ficando louca. Minha prima e o tal amigo assustaram-se um pouco.Disseram-me que eu estava tendo "um teto" e que, se tomasse leite passaria. Eu pensava que precisava de um psiquiatra urgentemente, mesmo naquela confusão, sabia que custava muito e não teria dinheiro para pagar, era sábado de tarde, FOI HORRÍVEL!

 

Quando cheguei à minha casa, meus pais se preparavam para sair. Precisava muito contar o que se passava comigo para alguém de CONFIANÇA, mas não quis incomodá-los. Eles saíram. Eu precisava de uma companhia... Já havia passado bastante tempo depois de ter fumado, mas a sensação não passava... Meu irmão estava em casa também, mas não poderia contar para ele. Fui para minha cama tentar dormir, não conseguia. Tive que ficar com a luz acesa... Depois tive um pouco de sono, mas era uma sensação aflitiva: dormia, acordava, sentava na cama, implorava para que meus pais voltassem logo... De repente, vi que minha mãe veio apagar a luz do meu quarto, dormi.

 

No dia seguinte, sentia-me como se tivesse estado doente há algum tempo. Sentia-me frágil, porém aliviada, pois o pesadelo passara. Depois daquele dia, passei a ter medo de sentir aquilo novamente. Sentia uma aflição muito grande também quando estava em ambientes iluminados por luz fluorescente. Queria fugir, mas não sabia de onde, pra onde, e nem de quê.

 

Algumas semanas passaram, ainda conseguia manter aquelas sensações somente sob o meu domínio. Até que, numa certa manhã, a crise ficou incontrolável: parecia que eu estava dentro de um sonho, mas eu sabia que era tudo real, meu coração disparava, tinha calafrios, o formigamento voltou... Então decidi, aproveitando que meu coração estava a mil, falar para minha mãe que eu estava com problemas cardíacos. Comecei a chorar compulsivamente. Queria que a minha mãe ficasse perto de mim o tempo todo, segurando minha mão, me abraçando... Ele resolveu levar-me a um clínico geral, fiz eletrocardiograma, mas estava tudo bem com o meu coração. O médico disse que só podia ser psicológico e me receitou um benzodiazepínico. Então fomos, eu e minha mãe, meu pai estava viajando à tal psicóloga indicada pelo médico. Não gostei dela, não consegui me abrir, pois eu sorria, ela não, eu chorava, ela não demonstrava nenhuma reação, ela só me olhava. Não quis mais voltar lá.

 

O tempo passou, as sensações continuaram. Eu não saía de casa sem o tal remédio. Às vezes, sentia-me o ser mais esquisito da face da Terra, tinha sensações de estranheza. Olhava para as pessoas na rua e imaginava como é que eu podia estar passando por tudo aquilo se as outras pessoas estavam na maior normalidade. Às vezes, as crises eram fortes e eu tomava o remédio, chorava muito, abraçava-me à minha mãe, conversava com meu pai e, aos poucos passava. O que nunca passou foi o medo de sentir aquele medo novamente.

 

Eu sabia que precisava de ajuda. Recorri ao Espiritismo, lá me diziam que eu precisava fazer "desobsessão". Ia a algum psicólogo que não cobrasse muito  e ouvia que eu tinha problemas emocionais... Ficava cada vez mais confusa, mas mesmo assim levava uma vida praticamente normal, só com alguns poréns: na aula precisava ficar em uma cadeira bem próxima da porta, pois de tivesse alguma crise, poderia sair rápido. Sair de casa sem o remédio? Nem pensar. Quantas vezes voltei quadras, pois tinha esquecido o dito.

 

Nesse período, surgiu a oportunidade de ir ao RJ, com amigos, assistir ao show do Stones e depois passar uma semana em Búzios. Seria muito legal, sem dúvida, mas e chegar até lá? (Seriam 24h dentro de um ônibus.) E lá no Maracanã, com aquele monte de gente? Certifiquei-me de que teria toda a segurança: UTIs móveis no show, médicos em Búzios, muitas caixas do tal remédio e, também, levei florais. Deu tudo certo, mas eu tomava vários comprimidos durante o dia.

 

Mas um tempo, quando estava quase terminando a faculdade de Letras, comecei a dar aulas em uma escola particular e  a perceber um salário satisfatório. Então decidi: "Vou fazer terapia com o melhor psiquiatra da minha cidade".Pesquisei e fui. Ele não disse que eu tivesse TP. Mas eu questionava sobre as mesmas sensações descritas pela mídia. Ele disse-me que se eu queria tanto um nome para o que eu tinha, então seria uma "neurose ansiosa".

 

Passei a tomar vários medicamentos: antidepressivos, continuei com a minha "bengala", o tal benzodiazepínico. Fazia também a terapia. As crises eram raras, mas o medo do medo continuava. Foi quando conheci um novo namorado. Passado algum tempo fiquei GRÁVIDA. E assustada! E agora? Não poderei tomar mais a o remédio? O psiquiatra foi categórico: NÃO. O obstetra disse que, preferencialmente, não, mas caso eu me sentisse muito mal seria melhor tomar. "Nada em excesso".

 

Porque não queria causar dano NENHUM à minha filhinha, não tomei, mas passei bons bocados. Tinha às vezes inícios de crises. Naqueles momentos, pedia fervorosamente ao meu anjo-da-guarda que me ajudasse. Ele me ajudava. E a crise não vinha. Foi muito difícil pra mim, pois antes da gravidez, quando saía, principalmente à noite, por vezes cheguei a tomar até oito comprimidos.

 

Minha filha nasceu, graças a Deus, saudável. Sentia vontade de tomar a "muleta", mas ainda tinha que amamentar...

 

Tempos depois, me separei do pai da minha filha e fiquei muito mal. Nessa época já estava de novo tomando o tal benzodiazepínico e antidepressivos também.

 

Mesmo com os sintomas, já peguei vôos de até 6 horas. Fiquei longe de casa (meu porto seguro) e também dou aulas para turmas de até 100 alunos.

 

Continuo tomando o tal remédio, meu atual marido diz que nem efeito faz mais. Eu acredito que faça. O problema é que agora quero engravidar novamente e tenho muito medo de ter uma crise, não conseguir trabalhar e não poder tomar o tal remédio.

 

Preciso conversar com alguém que já tenha passado por isso. Li todos os depoimentos e vi que algumas mulheres tiveram filhos, mesmo atravessando por esse problema. Será que alguém pode me ajudar? Muito obrigada!

 

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39 – Célia, 40 anos, Fisioterapeuta  - behzad@matrix.com.br - 02/07/01

Na época em que comecei a ter essa doença, não sabia da existência dela, nunca tinha ouvido falar sobre TP. Tinha mais ou menos 17 anos. Tudo começou com uma insatisfação em relação à escola. Na época, morava em Sampa e estudava no Colégio Rio Branco (que eu odiava, parecia uma prisão). Comecei a questionar o sentido de ser obrigada a estudar e depois sobre o sentido da vida. Comecei a sofrer de fortes angustias e somatizá-las para meu corpo. Começou com parestesia. Olhava meu braço e não sentia como meu, justamente quando estava indo para escola ou quando lá estava. Comecei a relacionar meu mal estar com a escola e passei a evitar ir ao colégio. Tinha muitos amigos, uma turma e um namorado.

Com o tempo, a angustia aumentava. Passei a não sentir minhas pernas quando estava na rua. Comecei a sair menos de casa  e, em umas férias de janeiro, fui para o Guarujá e tive meu Primeiro ataque. Estava junto com minhas irmãs indo a pé para o centrinho, íamos dar umas paqueradas. No meio do caminho comecei a sentir me angustiada e, de repente, não me senti, foi como se estivesse me vendo de cima, estava consciente, porém sentia-me gelada. O coração acelerou e tudo foi perdendo o sentido. Agachei-me num canto e comecei a gritar que estava morrendo. Foi horrível! Não preciso dizer que passei o resto das férias dentro do apartamento com medo de ter aquilo de novo.

Chegando em Sampa, estava apavorada e muito deprimida. Passei a ter outras vezes aquilo e não saía mais na rua com medo de ter medo. Fiz anos de terapia. Antes disso, piorei muito, fiquei deprimidíssima e queria morrer, mas não tinha coragem para me matar, porque amava muito a vida. Não tinha mais fome  e não tomava banho, só quando minha mãe me dava. Emagreci muito e passei a tomar um monte de remédios. Meus amigos todos sumiram. Só tinha um que vinha às vezes em casa para me levar para dar a volta no quarteirão, o que era uma vitória. Passei o diabo ate descobrir o que tinha. Minha vida parecia um pesadelo sem fim. Mas, como gosto muito de ler, lia todos os livros de psicologia que encontrava pela frente. Fui pesquisando.  Voltei a estudar e fiz o segundo grau. Tinha um amigo que me levava para escola e outro que voltava comigo, a pé ou de ônibus, não conseguia andar sozinha. Fiz faculdade, mudei de estado, casei e trabalhei 10 anos como fisioterapeuta.

Hoje tenho 40 anos,  3 filhos, um adotado e 2 gerados. Estou no meu segundo casamento, agora desempregada. Por causa de minha doença, abandonei um emprego no governo federal depois de 10 anos, tudo porque meu marido havia viajado a trabalho e eu estava com nenê novo. Senti-me desamparada e,  quando ele voltou, em vez de pedir transferência e aguardar na cidade (estava em Macapá), enquanto ele começava o negocio dele no Paraná, fugi e larguei tudo por medo de ficar só. Não estou livre da doença, já enfrentei momentos terríveis, mas tive muitas vitórias. Às vezes passo anos sem tomar medicamento nenhum, outros tenho que tomar antidepressivos e calmantes para controlar a angustia. Já fiz anos de terapia e hoje faço acompanhamento com psiquiatra.

Ainda não me conformei com a doença, porque ela impede um crescimento maior, pelo menos para mim. A nível profissional, fico muito limitada. Não vejo o dia de ser livre, sinto-me uma prisioneira. Sei que, ao mesmo tempo, tenho medo de ter sucesso e ser independente. É uma ironia, já me sabotei varias vezes, mas não desisto, porque amo muito a vida e meus filhos. Cada um nessa vida tem sua cruz para carregar e, se algo nos foi dado, é porque temos condições e forcas para agüentar, pois aprimora  e fortalece nosso espírito.

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40 - Adriana Esteves, 34 anos,  Enfermeira –  e-mail – drika_go@yahoo.com.br

Eu e a SP: Como tudo começou e terminou. Tudo começou logo que tive meu filho, dois meses após, no ano de 1984.  Estava dentro de um ônibus com ele, bem pequenino nos braços. De  repente, comecei a imaginar o que aconteceria com meu filho se eu passasse mal. Naquele momento, começou tudo. Comecei com os sintomas clássicos: sudorese, taquicardia e um medo enorme de desmaiar. Pedia uma pessoa que me ajudasse a segurar meu filho.  A pessoa desceu do ônibus comigo e me levou à minha casa.

 

Alguns dias se passaram e comecei a ter verdadeiro pânico de ficar sozinha em casa, comecei a ter crises de TP. Quando meu marido ia trabalhar, eu ficava ruim, mas me segurava até ele voltar do trabalho. Comecei a não sair sozinha mais, tinha medo de ter medo.  As coisas foram piorando drasticamente a ponto de minha mãe ter que parar de trabalhar para ficar cuidando de mim. Eu tinha que cuidar do meu filho pequeno, mas como? Se eu não conseguia cuidar nem mesmo de mim? Foi uma reviravolta na vida de todos. Eu tinha menos de um ano de casada e fazendo meu marido sofrer tanto. Na realidade, quem sofria era eu, tudo ia piorando. Para ficar comigo, só servia meu marido, minha mãe ou minha sogra. Nem com meus irmãos eu tinha coragem de ficar. Parecia uma ameba, um parasita, mas até aí tudo bem, não tinha crise de SP quando estava com um deles por perto, mas sempre andando grudada neles, na casa toda. Tinha medo de perdê-los dentro de casa. Meu apartamento era bem pequeno. Não ia ao banheiro sozinha, tinha medo de morrer afogada no chuveiro.

 

Um belo dia, eu viajando para uma cidade turística perto de Goiânia, minha cidade, comecei a passar mal. Suava frio, tremor, taquicardia e asfixia.  Pedia para o  meu marido voltar pelo amor de Deus, porque eu estava morrendo. Fiquei sufocada, sem ar. O pior é que tanto fazia voltar para casa, como seguir em frente; a distância era a mesma. Daí meu marido disse: calma, vamos seguir adiante. Seguimos. Fui melhorando aos poucos até que chegamos à cidade. Só que havia um grande problema, o retorno: como seria? Passei a noite toda angustiada e ansiosa. Fiquei adiando a volta. Na realidade, se eu tivesse um parente por lá, acho que não voltaria para minha cidade de tanto medo de ter outra crise daquela. Mas chegou a grande hora do retorno para casa. Quando fui vendo que a cidade estava desaparecendo dos meus olhos, comecei a ter uma crise e falei pro meu marido que queria voltar. Ele, na maior paciência que tinha, parou o carro e começou a falar-me que aquilo tudo ia passar. Eu havia comprado um litro de álcool para cheirar no caso de desmaiar. Seguimos a viagem, mas  eu estava totalmente ansiosa e tensa.

 

Desse dia em diante, a SP acabou de degringolar com minha vida. Não quis mais pensar em estrada nem bairros mais distantes, eu não ia nem com meu marido. Fiquei frustrada, pois era uma  das coisas que mais amava, viajar. Minha vida se tornava cada vez mais limitada. Pensava: meu Deus, acho que estou ficando louca mesmo! Fui a todos os médicos e especialidade e nada de errado comigo. Um dizia: você tem que rezar; outro, que era frescura;  outro, porque me casei nova; outro porque tive filho ainda nova e outro porque perdi meu pai muito cedo. Eu realmente já estava ficando doida. Foi numa época em que não existia essa doença na literatura médica. Dá para imaginar o quanto sofri?

 

Minha mãe começou a perder a paciência comigo e a dizer que eu tinha que cuidar da minha casa, do meu filho, do meu marido e etc. Gente, eu mal cuidava de mim. Tornei-me cliente assídua do pronto socorro, pois agora tinha crises mesmo estando com meu marido ou com minha mãe. Procuramos uma psicóloga muito famosa aqui em Goiânia. Lá vou eu, na maior esperança, mas também na maior ansiedade do mundo. Quando chegamos lá, o primeiro baque. Caríssimas as sessões! A terapeuta me indicou três vezes por semana. Ela viu que a coisa era séria. A terapeuta, que eu agradeço por ter me ajudado um pouco, fez pela metade do preço. Mesmo assim, tiramos da boca para pagar. Naquele ano, tinha acabado de me casar e ter filho, não tinha grana. O pior de tudo, é que tenho três tios médicos e nenhum quis me ajudar.

 

Marcamos o inicio da terapia. Comecei a ter uma crise na ida por pensar que eu teria que ficar 45 minutos com ela sozinha? E se meu marido fosse embora? Eu exigia que ele ficasse lá me esperando o tempo todo e ainda pedia a terapeuta para eu ir lá fora ver se ele estava lá. Isso eu fazia umas três vezes por sessão. Até que me ajudou um pouco a terapia, fiz por dois anos mais ou menos, mas as crises não cessaram. O que realmente a terapia me ajudou foi perder o pânico de desmaiar. Isso sim, acabou. Parei com a terapia, mas meu sofrimento continuava. Queria saber o que eu realmente tinha.

 

Em 1996, vi a reportagem de um psiquiatra na tv. Comecei a ouvir o que ele estava falando. Ele falava sobre pessoas que tinham medo, medo de ter medo e etc. Que a Universidade Federal de Goiás estava fazendo um estudo sobre esses medos, com a parceria do laboratório que fabrica o antidepressivo. Daí, ele disse o nome da doença; Síndrome do Pânico e, que quem tivesse interesse, era só ligar e marcar um horário para a entrevista com ele. Na mesma hora peguei o telefone e liguei marcando o horário. Fiquei ansiosa e novamente mais uma esperança. No outro dia, estava eu lá acompanhada do meu marido. Quando entrei sozinha, veio a crise. Ele percebeu, claro! Foi me acalmando e me perguntando o que estava sentindo. Explicou-me tudo sobre a doença, Já saí com o antidepressivo na mão, doida para achar uma água. Aquela era minha última esperança. Até o antidepressivo a universidade estava doando. Tomei o dito cujo e fiquei esperando não ter mais crises. Para minha surpresa, o antidepressivo para mim não resolveu. Aliás, passei mal pra caramba. Comecei a chorar, havia se esgotado minha última esperança. Voltei lá uma semana depois e disse tudo que havia sentido com o remédio. Foi aí que ele me receitou um ansiolítico. Tomei, mas sem ter muita esperança. Enganei-me. No primeiro comprimido, eu já não tinha mais crises. Tomei por uns três ou quatro anos. Nem sei, parei de tomá-lo por conta própria. Ele havia me dito para não parar, mas mesmo assim, como sou teimosa, parei. Acabaram-se as crises. Fui fazendo exercícios de exposição, como se eu fosse um bebê engatinhando. Comecei a descer do prédio sozinha, depois ir na esquina e daí alçando vôos cada vez mais longe. Foi um longo período, até que acabaram-se as crises. O medo de sair e ficar sozinha, também não existiam mais, mas ainda tinha um problema; a estrada. Viajar? Nem que me amarrasse eu viajava. Mas pra mim estava ótimo, não tinha crises, era independente.

 

Comecei a trabalhar, logo de cara, numa grande empresa e com um cargo elevado. Voltei a estudar e me formei para enfermagem. Só que comecei a ficar frustrada, meu marido e meu filho viajavam para a praia e eu ficava. Minha única irmã morava em Teresópolis - RJ e eu ficava triste por todos irem visitá-la, menos eu. Daí, as pessoas falavam assim: a Adriana não viaja não, ela tem problema. Vinha um e perguntava: você tem medo de quê mesmo? Quem  disse que eu tinha coragem para contar que eu tinha medo de ter medo? Só meu marido sabia. Eu dizia que tinha medo de acidente, era mais fácil falar isso. Fui me revoltando com a situação de estar tudo bem, de ter meu carro, meu excelente emprego, ir sozinha para onde eu queria, porém não ter coragem de viajar. Daí, voltei no meu psiquiatra e ele me receitou novamente o ansiolítico. Disse-me que era para eu fazer uma terapia que se chamava "Terapia Cognitiva Comportamental". Que ela iria acabar com a agorafobia. Por incrível que pareça, estava perto do aniversario da minha irmã. Comecei a  fazer a tal terapia. Eu estava na quarta sessão e faltavam apenas 24 horas para o aniversario da minha irmã. O marido dela me liga e me diz que havia perguntado para ela o que ela queria de presente de aniversario. Ela falou para ele: meu maior presente seria a Adriana vir passear na minha casa. Comecei a chorar compulsivamente, me senti impotente, infeliz e, acima de tudo, covarde. Eu disse para o meu cunhado que não poderia ir por motivo de trabalho. Eu Mentira. Comecei a falar com Deus para me dar coragem. Daí, eu li na bíblia um versículo que diz assim: Deus não nos deu espírito de medo e sim de coragem e ousadia. Pensei comigo: então vou me encher de coragem e ousar. Comecei a fazer as malas, quando meu marido chegou, as coisas estavam todas dentro do meu carro e,  ele assustado, perguntou-me o que era aquilo. Eu falei: vamos pegar a estrada para o Rio de janeiro às cinco horas da manhã. Ele não acreditou. Daí, não falamos para ninguém, seguimos às cinco horas. Aliás,  passei a noite toda acordada e ansiosa.

 

A viagem foi linda, a melhor viagem da minha vida. Não sabíamos nem o endereço da casa dela, era surpresa. Eu não poderia perguntar, mas sabia que era perto do Banco do Brasil e lá só tem um, ficou fácil achar. Quando chegamos lá, à noite, tocamos o interfone e minha sobrinha atendeu  e começou a gritar não acreditando. Falou para minha irmã que eu estava lá. Minha irmã não acreditou e nem deu bolas para minha sobrinha. Quando entrei, ela quase desmaiou, começou a chorar e  a dizer que aquele foi o melhor presente que Deus poderia ter dado a ela. À meia noite, começamos a comemorar o aniversario dela e, daí por diante, minha vida têm sido de vitórias e conquistas. Quando vejo alguém dizer que não tem cura, fico indignada, foram 12 anos de sofrimento e cativeiro. Perdoem-me pelo tamanho do relato, é porque vocês nem podem imaginar o tamanho da minha vitória. Que isso sirva de alento para aqueles que estão sofrendo.

 

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41 – Universitário, 22 anos,  Ronald - SP  - E-mail: drosophilasp@ig.com.br

Olá, Fernando Mineiro! Talvez você se lembre de mim pelo meu apelido na lista, PSIDUCK. Você deve receber algumas mensagens minhas via e-mail. Achei que deveria compartilhar alguns fatos com você, pois, através do seu site, achei informações importantes para lidar com o TP.  Encontrei pessoas fantásticas que me ajudaram e, hoje, depois de alguns meses, as considero minhas amigas.


Prestei "vestibulares" no fim de 2002, após seis meses de início do meu tratamento e, no começo desse mês, começaram a sair os resultados das provas. A superação e a provação que passei ao realizar essas provas, foram recompensadas no momento que li a lista de aprovados. Consegui passar em duas faculdades públicas. Na UNESP (Universidade Estadual Paulista) e na UFSCar (Universidade federal de São Carlos). Ambas no curso de ciências da computação.

 

Para mim, isso foi uma superação pessoal, pois hoje faz menos de um ano que comecei o meu tratamento (fará um ano em maio), depois de quatro anos sofrendo de TP. Se naquele tempo eu não tinha nenhuma esperança de conseguir viver, posso te dizer que hoje é tudo diferente.

 

Minha vida recomeçou da forma mais feliz possível. Um buraco de quatro anos de TP está sendo fechado. Vejo agora no meu caminho um horizonte que posso seguir. Depois de tanto sofrimento e medo, descobri que sou muito mais capaz do que pensava e, a cada dia, cresço na minha vida. De algo que eu considerava perdido, consegui extrair o máximo de mim. Penso que as pessoas que sofrem de TP, são na verdade, as pessoas mais fortes do mundo, só que não sabem disso. Nosso sofrimento nos torna mais fortes e, se aprendermos a lidar com ele, seremos pessoas muito melhores.

 

Sinto-me feliz por ter me superado dessa forma. Queria dividir isso com todos. Eu, como vários de nós, passei por momentos muito difíceis, mas posso dizer a todos que o TP não é o fim. Podemos a cada dia superá-lo e viver a nossa vida de forma feliz. Tenho momentos de tensão, mas para ser sincero, não me lembro deles. Tento fazer a minha memória lembrar apenas de quando me sinto bem. Espero que assim como eu, todos que passam pelo TP, saibam que ele tem cura e depende muito de nós.

 

Obrigado a todos da lista pelo apoio e, a Deus, por ter me dado mais uma chance de viver com alegria.

 

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42- Luciana - 28 anos – E-mail: luciana.rodriso@gmail.com -10/01/08 - Hoje em dia, volto minha mente ao passado e vejo que tenho sintomas de TP desde criança. Não sabia explicar aos meus pais a "dor de barriga", mas hoje vejo que era medo, ia para escola quase sempre "arrastada". Sentia-me mal na sala de aula e também na hora do intervalo. Nunca fui muito próxima às pessoas, ter amigos que fazem tudo junto e também não gostava de comer. Sempre fui muito sensível a aromas.

 

Com muito custo em 1996 terminei o segundo grau. Passava muito mal na escola e mais ainda na volta pra casa de ônibus. Além do mal estar, parece que eu atraia para ver pessoas passando mal ou vomitando. Tudo aquilo me transtornava muito. Tentei fazer uma faculdade, mas com muito custo tive que abandonar, pelos mesmos motivos de sempre. Consegui um trabalho próximo de minha casa aos 18 anos. Era aproximadamente um km a pé, o que mais tarde se tornou um milhão de kms. Alimentava-me com dificuldade, sentindo aquele "nojo" do alimento. Não conseguia caminhar muito que passava mal. Meu coração disparava, ficava sem ar, completamente descontrolada e com ânsia. Tentei ter namorados, mas não durava muito tempo. Não sentia vontade de sair. Só me restava o trabalho. Comprei uma moto para facilitar minha locomoção e não precisar mais ficar a pé ou precisar de ônibus.

 

No final de 2002, depois de seis meses turbulentos de namoro, o rapaz morreu bruscamente. Tentava ser forte mas não percebia que ia caindo aos poucos. Em 2003 comecei a ter mais crises, mas ainda não sabia o que eu tinha, tudo era tratado somente como depressão. Peguei um pavor enorme de andar de moto. Vendi, assumi mais uma dívida, mas comprei um carro. Por um tempo me senti mais segura.

 

No final de 2003 comecei a faltar do trabalho por causa das crises. Acabei vendo um cabelo na comida e resultou em parar de comer. Somente no inicio de 2004 foi diagnosticado TP depois de eu achar que estava ficando louca. Não saía mais de casa, não comia, não deixava ninguém comer e parecia que qualquer momento alguém me ameaçava, imaginava que iria vomitar. Fui submetida a altas doses de antidepressivo e ansiolítico.

 

Mais tarde, em meados de 2004, o golpe final: fui demitida! A partir dai cai de vez! Mesmo com os tratamentos nada era suficiente, apenas amenizava um pouco. Descobri que além do TP tenho agorafobia, claustrofobia, fobia social, fobia alimentar e emetofobia. Não que eu tivesse intenções de emagrecer, pois já sou magra demais e me incomoda com isso, mas segundo a psiquiatra, é um tipo de anorexia essa fobia alimentar, pois rejeito os alimentos. A emetofobia é um medo incontrolável de vômito, tanto eu vomitar, como ver, saber, ouvir, qualquer coisa relacionada ao assunto.

 

Hoje em dia, depois de mais duas tentativas de trabalho que duraram alguns meses e de voltar à faculdade, me encontro sem trabalho, sem conseguir sair da minha casa, com crises até quando vou tomar banho. Tentei terapia cognitiva comportamental  por um ano, mas parei por falta de condições financeiras. O mesmo está ocorrendo com meu tratamento com a Psiquiatra. Não tenho condições de manter nem os remédios, que pra falar a verdade, estou cansada de tomar e não ter resultado. Minha família no inicio se assustou, mas hoje em dia se cansou e todos se afastaram, mas não os julgo,  sei que eles também não têm mais condições emocionais e financeiras pra me ajudar. Conto com a ajuda de meu namorado atual, comigo há 4 anos. Não pode me ajudar financeiramente e nem o tempo todo, mas no que pode, procura sempre estar presente. Sinto amizade por ele, pois sei que o namoro está totalmente voltado a isso, já que tenho crises simplesmente de ganhar um beijo. Sei que deve ser difícil ter uma pessoa assim ao lado, pois não vou a casa dele, não o acompanho em nada. Tem dias nem consigo vê-lo, pois estou passando muito mal e não consigo ver ninguém.

 

E assim me encontro hoje em dia, sem esperança, vendo o tempo passar, a vida e as pessoas caminhando e eu ficando na mesma situação. Continuo com a medicação, agora com 20 mg de antidepressivo e 2 mg de ansiolítico.


Sr. Fernando, acredito que isto vai fazer muitas pessoas verem que o TP delas é tão pequeno, mas sei também que tem pessoas que sofrem assim como eu. Não sou covarde, apenas cansei de lutar e não ter resultados! Não me restam mais forças, nem mesmo me alimento corretamente. As pessoas dizem para tomar vitamina, mas nem condições do remédio estou tendo, quem dirá de vitamina. Dou graças ao meu irmão ter este velho computador, é meu único meio de comunicação com o mundo. O nojo da comida complica tudo. Uma vez que somos o que comemos, então não sou nada! O pavor de sair de casa é intenso demais e não tem quem se disponibilize de tempo e vontade para fazer exercícios de exposição comigo! Já tentei sozinha, mas foi terrível! Muito obrigada por tudo!

 

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43- Estudante de Educação Física - 22 anos - Em 2004 eu usei esteróide anabólico e maconha. Após alguns meses surgiu uma depressão leve e insuportáveis crises depressivas, as quais me levaram a procurar ajuda psicológica e psiquiátrica para sanar de imediato os problemas ligados às causas químicas e orgânicas.

 

Fiz no total cinco sessões com a psicóloga. Devido às crises estarem se estabilizando ela pretendia me liberar, porém, como tive alguns sintomas de depressão, procurei  um psiquiatra (ótimo por sinal). Na minha primeira consulta em março de 2005 ele me receitou um antidepressivo de última geração.

 

Eu me dei muito bem com esse medicamento. O conselho que dou para as pessoas que tomam antidepressivos é não pararem de forma abrupta; sigam sempre a  orientação médica, pois depressão é uma doença grave, porém, cabe a cada um ter o devido comprometimento com a doença para que ela se estabilize e não evolua.

 

Meu tratamento foi de vento em polpa, tanto que meu medico fez o ciclo de retirada do medicamento. Fiquei três meses sem tomar nada.

 

Em dezembro de 2008 surgiu um grande imprevisto na minha vida: eu estava em uma sala de aula de um cursinho preparatório para policia militar, quando de repente, fiquei confuso, sentimento de nervosismo e angústia, sensação de morte eminente, loucura e formigamento nos braços.  Achei que iria ferir os amigos da sala de aula. Peguei meu material de estudo e saí às pressas para fora da  sala e desci correndo as escadas. Eu estava perto de um bar quando, sem saber o que estava acontecendo, resolvi comprar bebidas alcoólicas. Pensei comigo: - isso poderia piorar a minha situação. Como vou chegar vivo em casa? Sem contar que era clima de festa de natal e o comércio estava aberto.

 

Eram 10 horas da noite. As ruas movimentadas e eu com essa sensação assustadora e arrasadora me consumindo. A única coisa que me restava era tentar pedir ajuda, mas a multidão na rua piorava minha situação. Senti vontade de sair correndo sem saber pra aonde ir, sem saber se eu agüentaria a situação que era tão difícil. Até eu compreender tudo aquilo eu fui andando e caminhando em direção ao terminal rodoviário na qual tinha vários policiais. Eu ia pedir ajuda, porém, com o sentimento de “loucura” e “medo”. Eu pensava comigo: - se eu começar a chorar aqui e me desesperar... Minha vontade era de gritar por socorro, mas ao mesmo tempo eu ficava com medo deles desconfiarem de algo, ou eu tentar pegar a pistola deles e atirar pra cima...

 

Tudo isso me sufocou completamente. Foi horrível até eu conseguir ligar para minha tia chorando e ouvir alguns conselhos, porém, sem saber o que fazer, nem para onde ir, pois o desespero era tremendo...


Pois bem, cheguei ao ponto de ônibus e comprei uma garrafa de um litro de água mineral, era única coisa a fazer até me controlar. Resolvi esperar meu ônibus. Nisso, a minha tia me liga e me pergunta se eu não queria que me prima fosse me buscar. Mas a crise começa a se intensifica e eu pensava comigo: - será que não é melhor eu ir a pé para casa, ou ir de ônibus? Mas se eu me atirar pela janela? A agonia não passava, até que meu ônibus chegou e eu entrei dentro dele lotado. A única coisa que me restou foi cronometrar meu celular para distrair a minha atenção até chegar “vivo” em casa. Isso durou aproximadamente 45 minutos. Cheguei muito mal..

 

Hoje, em abril de 2009, voltei a tomar o antidepressivo de última geração. Às vezes tomo um ansiolítico. Vou procurar um tratamento fitoterápico  para que eu mantenha somente o antidepressivo de última geração em vez de usar um tarja preta. Prefiro usar algo que traga menos efeitos colaterais. Não que eu tenha preconceito com os medicamentos de tarja preta, porque sem eles fica quase impossível curar-se do problema. Prefiro algo que seja mais  “light”.

 

Deixo aqui o meu depoimento e um conselho para todas as pessoas que tenham essa patologia: - jamais tenham medo dos medicamentos, sejam eles quais forem. Se você tem a Síndrome do Pânico e seu psiquiatra os recomendou, se comprometa a ter seriedade com a sua doença e com seu tratamento. Ouça e respeite seu psiquiatra, pois ele, depois de DEUS, é seu SEGUNDO e grande aliado nessa batalha contra esse tipo de patologia, que hoje em dia se encontra cada vez mais freqüente na vida agitada e conturbada da nossa sociedade. E saibam que tudo isso não é nossa culpa, mas sim das reações estressantes causadas em nossas vidas no dia a dia. O mais importante é se tratar com seriedade e ser feliz.


Grande abraço, amigo Fernando! Sem duvida alguma, você é uma das maiores referências nesse tipo de problema.

 

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44 - 07/10 - Terapeuta ocupacional - 51 anos - trabalho em saúde mental há 25 anos. Quando tinha 16 anos tive minha primeira crise. Achava que era um problema espiritual e que era médium. Meu corpo tremia, meu coração disparava, minha consciência parecia querer apagar e sentia medo intenso, mas ainda não achava que iria morrer.

 

Aos 23 anos viajando com amigos para Monte Verde tive a segunda crise. Achava ainda que era problema espiritual e uma amiga simpática ao espiritismo me aplicava passes. Lembro-me de alguns episódios que me sentia estranha e sentia “medos”, mas um episódio importante foi aos 25 anos quando sofri um assalto e depois disso desenvolvi sintomas de muito medo. A maior parte à noite. Tive crises horríveis quase delirantes achando que iria ser assaltada em situações mais inusitadas possíveis.

 

Uma vez, jantando na casa de amigos recém casados, ouvi um barulho no hall de entrada do apartamento e engasguei de medo. Corri para o banheiro e lá permaneci por bastante tempo tremendo de pavor.  Outra vez, numa rotisserie, escolhia um doce na vitrine, e pelos frisos de espelho percebi um homem atrás de mim. Desmaiei de susto e fui socorrida por funcionários.

 

Mudei de casa para um apartamento e quando chegava em casa à noite, acompanhada por amigos eu sentia medo de olhar para a sacada de meu andar, pois achava que veria sangue, que algo de muito ruim havia acontecido. Mas pude ter realmente o diagnóstico de síndrome do pânico foi há 11 anos quando comemorava a formatura da filha de uma grande amiga de faculdade que há muito tempo não a via. Estávamos num restaurante em São Paulo e de repente tive uma vontade intensa de voltar para casa em Campinas e ver minha filha e meu marido. Comecei a não sentir mais o meu corpo, minha consciência perdia a força e a clareza das coisas. Fui ao banheiro, lavei meu rosto, deixei a água escorrer em meus pulsos, entrei na cabine do vaso sanitário e ali fiquei sentada rezando para que aquela sensação passasse. Melhorou mas fiquei inquieta, queria voltar pra casa. Convenci a amiga que me acompanhava a voltar para Campinas e a meia noite eu dirigia afobada, sem dizer a ela o que estava acontecendo. Sentia medo até de falar sobre o que sentia. Errei o caminho, respirava fundo tentando me acalmar e disfarçava como se tudo estivesse bem. Chegamos em Campinas e fui dormir em sua casa pra não dirigir sozinha até minha casa naquele horário. Não consegui dormir. Meu coração disparava e o medo me tomava. Quando olhei no relógio e vi que eram 6 horas, liguei pra minha casa e o telefone não atendeu. Ainda não usava celular. Saí enlouquecida achando que algo teria acontecido a minha filha e meu marido. Dirigi sem consciência do risco que corria. Fui em direção ao trabalho de meu marido e quando lá cheguei, entrei correndo, com o coração disparado, um terror tomava conta de mim e de repente vi de longe o cabelo loiro de minha filha, de costas para a porta, sentada usando um computador. Meu Deus!!!! Entrei num banheiro em minha frente, sentei no chão e ali tive uma das piores sensações de minha vida. Um terror, um medo que não se justificava e uma fragilidade que não me permitia levantar. Não sei quanto tempo fiquei ali, mas levantei e fui encontrá-los na sala onde estavam e pedi pra minha filha que me acompanhasse para andarmos um pouco a pé, pois não estava me sentindo muito bem. Ela tinha 8 anos e não tinha noção do que se passava comigo. Eu disfarçava meus tremores e tentava observar um cachorro que nos acompanhava. Pedi a meu marido que ficasse ainda com ela no trabalho, pois precisaria procurar minha analista, pois não me sentia bem. No divã eu tive uma crise horrível. Meu corpo tremia como se fosse uma convulsão. Tinha espasmos. Foi ela que me obrigou a ligar para um psiquiatra e foi a partir daí que comecei a me tratar com antidepressivos e afirmo que as crises desapareceram por 2 anos. Depois voltou em outro momento de minha vida e também tratei. Achei que desta vez estaria curada pra sempre. Mero engano.

 

Sou uma pessoa muito cuidadosa com os outros. Coordeno uma equipe de saúde mental que trata de pacientes psicóticos. Tenho uma família que amo muito, mas muito complicada. Um irmão com TP, uma mãe e pai idosos e outro irmão que “queimou todo o patrimônio da família”. Então tenho que arcar com muitas responsabilidades. Mas tenho uma irmã e um marido MARAVILHOSOS, a quem sou eternamente grata. Posso contar com eles em minhas crises.

 

Tive ontem a pior crise de todas as outras, talvez por ter entrado na menopausa e ter os sintomas potencializados. Depois de um período de muito stress no trabalho e com problemas familiares que já estão sob controle, fui dormir muito cansada e tive dificuldade em adormecer. De repente uma sensação de tremor e dormência interna, taquicardia, fraqueza, muito medo, dor no peito, agonia, frio no estômago e mais tremor. Consegui me levantar da cama, andei pela casa rezando, porém tremendo como nunca havia tremido antes. Parecia convulsão. Tive espasmos e precisei tomar ansiolítico de meu marido para controlar a crise. Interessante que achei, ou melhor, tive certeza que iria morrer. A crise durou mais de uma hora.

 

Ultimamente tive crises esporádicas com esses sintomas: taquicardia, tremores, medo intenso de morrer, espasmos e frio no estômago. Tenho prolapso da válvula mitral e sei que este pode ser um dos fatores entre outros. Minha história de vida, no que diz respeito a minha relação com meu pai também me causa sofrimento. Lembro-me de situações de muito medo e raiva dele. Outras de extremo amor e carinho. Outras de humilhações, desprezo e traição.

 

Ufa!!!! Acho que essa retrospectiva me ajudou a elaborar um tanto! Inspirei-me quando li outros depoimentos e saquei algo importante: A história de vida é única de cada portador de TP, mas o sofrimento compartilhado é o grande achado para acreditarmos que não estamos sozinhos, não precisamos morrer disso e que EXISTE TRATAMENTO! Também acho que cada um encontra o melhor caminho a partir das escolhas que fazem, pois é necessário encontrar um jeito prazeroso de se cuidar para além da necessidade de encontrar seu melhor antidepressivo.

 

Eu faço caminhadas, pilates e amo lojas de objetos de decoração, aromas, flores, chocolates......

 

Agradeço a você, Fernando, pela iniciativa de agregar tanta gente neste site e oferecer oportunidade de esclarecimentos, compartilhamentos e ESPERANÇA!

 

Acho muito nobre de sua parte a publicação de seu trabalho e o investimento neste site que oferece oportunidades de esclarecimentos e compartilhamentos tão necessários aos que sofrem de TP.

 

Parabéns, acho que hoje conseguirei dormir melhor!

 

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45- 12/10 - Selma Peçanha - Professora Universitária - 50 anos - E-mail: selma_aluada@hotmail.com .

Sou portadora da Síndrome do Pânico há 15 anos, 10 sem diagnóstico e 5 em tratamento. Tenho agora 50 anos, sou professora universitária, divorciada e tenho 2 filhos lindos. A filha biológica está com 24 anos e o adotivo com 8 (o adotei recém-nascido).


Em primeiro lugar gostaria de agradecer a contribuição que os e-mails do GruPan têm dado para o controle do transtorno que desenvolvi e justamente por isso gostaria de contribuir.


Durante este tempo de doença, tomo remédios regularmente e durante 4 anos fiz terapia cognitiva comportamental. Ela me tirou de casa, me ajudou na reintegração ao trabalho, mas não conseguiu me ajudar a voltar à vida social normal que eu tinha.

 

Percebi que estacionei no último ano, dos 4 de terapia na superação da fobia social, mas a insegurança causada pelo MEDO DE PASSAR MAL eu não conseguia vencer. Conversei com meu médico (especialista em distúrbios mentais) e foi quando ele me disse que eu tinha uma doença crônica que podia ser controlada, mas como não tinha cura, eu certamente teria que me conformar com algumas limitações. Bem, não me conformei, e é por isso que estou lhes escrevendo.


Comecei a fazer PNL, programação neuro-linguística há seis meses. Hoje, estou saindo, viajando de ônibus, dirigindo, ou de avião, quando quero e para onde quero. Claro que ainda tomo precauções quando saio com meu filho. Prefiro estar acompanhada para segurança dele, mas quando sozinha, estou livre!

 

Avaliem estas informações e divulguem o que acharem pertinente. Espero ter contribuído.

 

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46 – 09/11 – Professora com doutorado – 33 anos - E-mail: jacklinezoo@gmail.com  . Meu nome é Jacqueline Sa Bahia. Resolvi escrever para o site após ler o livro do Fernando Mineiro. Gostaria inicialmente de parabenizá-lo pela iniciativa de dividir um pouco da sua angústia de tantos anos, em prol da ajuda de muitos.

 

Em contrapartida, lendo os depoimentos finais do livro, me identifiquei com o último depoimento da administradora de empresa de 31 anos. Isso porque fui diagnosticada logo após a primeira crise que durou em torno de duas semanas. Faço tratamento há 1 ano e meio com psiquiatra e psicólogo.

 

A 1ª crise ocorreu após uma gripe muito forte que me fez parar no hospital. Fui diagnosticada com princípio de pneumonia. Como todos citaram em seus depoimentos, eu também passei por neuros e cardiologistas. Como Fernando Mineiro, sempre fui muito curiosa e achava que tinha de fato alguma coisa.

 

Após 4 dias internada, recebi alta. Uma semana depois eu estava lá novamente internada, com uma horrível falta de ar que nunca passava. De repente, veio uma taquicardia seguida por um esquentar das mãos e pés, calafrios e um tremendo medo de morrer e nunca mais ver meu filho. Desesperei-me e chamei o médico. Pedi para ir para casa ver meu filho. Ele permitiu que eu saísse do hospital achando que era um ataque de saudade apenas.

 

Ao chegar em casa, à noite não conseguia dormir no meu quarto, ficava no quarto do meu filho desesperada a noite toda e acordava achando que iria morrer. Foi então que resolvi ligar para uma tia muito próxima e ela como é psicóloga, então tudo ficou mais fácil. Contei a ela tudo que estava acontecendo com a esperança que ela pudesse me entender, já que meu marido não sabia ao certo o que eu tinha e já não sabia mais o que fazer para ajudar-me. Conversamos pelo telefone cerca de 1 hora e meia. Eu estava mais calma e ela me disse que eu poderia estar com transtorno do pânico. Sugeriu que eu procurasse um psiquiatra e tratamento psicológico, já que seria antiético ela como tia  tratar-me.

 

No dia seguinte procurei o psiquiatra. Ele fechou o diagnóstico de Transtorno do Pânico e receitou-me ansiolítico e antidepressivo. Comecei o tratamento psicológico e hoje já estou  na fase chamada de "processo de cura", tomo apenas 1 antidepressivo pela manhã. Mês que vem começo o processo chamado de "desmame" pelos médicos, que é retirada gradativa da medicação.

 

Resolvi escrever para ajudar as pessoas que ainda não conseguem se livrar desse transtorno e por achar que algumas observações, no meu ponto de vista, devem ser feitas a respeito desse transtorno. Primeiro, não acredito que ele não tenha cura. É justamente por pensar assim desde o início do tratamento que me faz melhorar cada dia mais. Em segundo lugar, como cheguei a ter crises horríveis, hoje vivo sem as crises enfrentando situações que antes eram complicadas. Não posso chamar isso de cura? Esse é meu ponto de vista; um processo da cura. O fato de conviver, seja  com sintomas isolados, ou sem crises, comprova isso. Afinal, quem me garante que são sintomas isolados de uma crise, ou apenas um estado de ansiedade momentânea mais elevada? Várias pessoas que não possuem  esse transtorno, também passam por esses sintomas,  mas raramente relatam algo parecido, achando que é normal ou apenas com receio de admitir suas fraquezas! Já que relatar algo parecido na nossa sociedade é sinônimo de fraqueza. Nascemos apenas para ser rocha, nunca para aceitarmos e respeitarmos os nossos momentos que eu chamaria de sensibilidade! Somos seres humanos, não somos máquinas, embora a mídia e o mercado de trabalho insistam e pregar esse tipo de comportamento.

 

Em relação às doenças orgânicas, quando você se cura de uma gripe, quer dizer que nunca mais você terá gripe novamente? Não! Nem por isso sou considerada um portador eterno do vírus da gripe!

 

Outro ponto que chamo a atenção é em relação à medicação. Acho-a mais do que necessária, uma das ferramentas de cura sim! Eu nunca me achei e não sou dependente química, necessitei apenas de substâncias sintéticas que naquele determinado momento meu corpo não era capaz de produzir! Hoje já faço exercícios físicos, exercícios de relaxamento. Leio muito sobre a doença e medicamentos. Converso bastante com meu médico. As consultas viraram agora momentos de descontrações! Procuro ajudar as pessoas que percebo que tenham alguns sintomas e tenham dificuldade de se aceitar como um portador! Enfim já me sinto segura e capaz de começar a deixar o remédio, que no meu ponto de vista, sempre foi algo temporário na minha vida. Portanto,  finalizo dizendo que meu processo de cura é apenas uma questão de tempo! Levo a minha vida com muita felicidade. Amo minha família, minha profissão e meus amigos.  Desejo paz a todos que, assim como eu, buscam a CURA!


Gostaria de receber depoimentos de outras pessoas que portadoras do TP.

 

ÍNDICE

 

 

EDITORIAL

 

PRECONCEITO

 

NÃO TENHA PRECONCEITO AOS PORTADORES DO TRANSTORNO DO PÂNICO,  VOCÊ TAMBÉM CORRE O MESMO RISCO DE SENTI-LO UM DIA.

 

Qualquer pessoa está sujeita a desenvolver o Transtorno do Pânico, basta que tenha uma predisposição genética a esse distúrbio e que esteja sob pressão de agentes estressantes. Considerando que nos dias de hoje a violência, o desemprego, a corrupção e a falta de perspectiva de dias melhores,  já tomaram conta dos noticiários, fica difícil não se sentir estressado ou  tenso. Por outro lado, ninguém sabe se tem ou não essa predisposição genética, o que torna toda pessoa passível em desenvolvê-lo. Como você também corre esse risco, procure dar todo apoio ao portador, seja ele de sua família, seu vizinho ou seu colega de trabalho. O que mais o portador precisa, é sentir que não está sozinho e que tem a quem recorrer nos momentos de crise. Seja solidário, ninguém sabe o dia de amanhã...

 

O PORTADOR DO TRANSTORNO DO PÂNICO É PACÍFICO,

INTELIGENTE, PRODUTIVO E CONFIÁVEL. INVISTA NELE!

 

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Direito autoral

 

Textos de minha autoria que estão sendo divulgados em vários sites na Net , ou enviados como Power Point, como “Autor Desconhecido”, ou com autoria indevida. Esses textos estão protegidos pelo Direito Autoral e devidamente registrados na Biblioteca Nacional. Ao recebê-lo sem os devidos créditos, por favor, comunique a fonte sobre essa informação. Abaixo um desses textos.

 

O SEGREDO DA VIDA

Por: Fernando Mineiro – fmineiro@yahoo.com.br

 

Todos os dias, quando você acorda e abre os olhos pela manhã, você ganha o maior de todos os prêmios já oferecido ao ser humano, você novamente inicia um novo dia. Muitos não têm mais essa oportunidade. Vamos viver esse dia que se inicia com toda intensidade e otimismo. Vamos iniciá-lo sorrindo.

 

Mire-se no espelho e dê um belo " BOM DIA! " à pessoa mais importante desse universo, você! Se você não se amar, não será capaz de amar ninguém. Se você não se ajudar, não poderá ajudar ninguém. Uma pessoa com auto-estima baixa em que poderá contribuir? Dois sacos vazios não param em pé. Dê um forte abraço em você mesmo. Você é único no universo.

 

Repare! Você está vivo, venceu mais um dia! É isso que importa, iniciar mais um novo dia. Faça desse dia o seu melhor dia, só dependerá de você. O sorriso contagia e não lhe custa nada. Sorria para seus filhos, para sua esposa ou esposo, para seus pais e para todos aqueles que convivem com você. Se você franzir a testa, você contrairá 60 músculos, mas para sorrir, apenas 16. Ao menos por economia, sorria sempre!

 

Pronto! Você começou o dia com otimismo, sua mente está aberta para tirar desse dia tudo que ele possa lhe oferecer de bom. Procure somente o positivo em tudo que você fizer, esqueça do negativo. O positivo sempre estará em todas as suas ações, basta você querer encontrá-lo.  Liste suas tarefas de hoje, somente as de hoje, esqueça as de ontem, elas já são passado. Deixe de lado as do amanhã até que elas se tornem hoje.

 

O dia tem vinte e quatro horas. Divida-o em três partes: oito horas para o sono, oito horas para o trabalho e oito horas para o seu relax e de sua família. Tenha tempo para os seus filhos antes que você necessite do tempo deles. Tenha tempo para sua esposa ou esposo, para que desfrutem da vida enquanto vida tiverem, mas não se esqueça de reservar um tempinho para suas orações.

 

Esse é o segredo da vida, não o guarde com sete chaves, passe-o para todos seus amigos, pois só assim  difundiremos pelos quatro cantos que a vida é bela e merece ser vivida.

 

Que você tenha um excelente dia!

 

 

Copyright © Fernando Mineiro - www.sospanico.com.br . Permitido a reprodução deste texto na íntegra, sem cortes, incluindo esta observação.

 

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SUA OPINIÃO É IMPORTANTE!

Envie mensagem para:

fmineiro@yahoo.com.br

 

 

Obrigado por sua visita

Fernando Mineiro

 

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